Dengue: Veja sintomas, causas e tratamento

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Frequente em regiões de clima tropical e endêmica no território brasileiro, a dengue é uma doença infecciosa que pode se manifestar de forma branda ou grave, a depender do tipo de vírus causador, de contaminações prévias e de fatores individuais, como comorbidades (diabetes e asma brônquica, por exemplo).

Estima-se que 390 milhões de casos de dengue ocorram anualmente em todo o mundo, dos quais 96 milhões se manifestam clinicamente, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde os anos 1980, o Brasil vem registrando epidemias frequentes da doença, por vezes com elevado número de óbitos.

O que é a dengue e como ela é transmitida?

A dengue é uma doença febril aguda sistêmica causada por um vírus da família Flaviviridae, transmitido por meio da picada da fêmea do mosquitoAedes aegypti, que também é vetor da febre amarela, da chicungunha e da zika.

A contaminação ocorre quando um mosquito que se alimenta do sangue de uma pessoa com dengue é infectado pelo vírus e, então, transmite a doença ao picar outro ser humano. Não há transmissão pelo contato direto com um doente ou suas secreções, nem por fontes de água ou alimento. Mas já houve relatos de transmissão vertical de mãe para filho na gravidez.

Por ser causada por um flavivírus, a doença é considerada uma arbovirose. São conhecidos quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Existe um quinto tipo (DEN-5) da dengue, mas ainda não foi registrado no Brasil. Apenas na Malásia, na Ásia, em 2007.

Quais são os sintomas da dengue?

Os primeiros sintomas podem ocorrer de quatro a 10 dias após a picada do mosquito infectado. A doença pode se apresentar de forma benigna e sem sintomas, ou grave, dependendo de alguns fatores, como: o vírus envolvido, infecções anteriores pelo vírus da dengue e fatores individuais, como doenças crônicas (diabetes, asma brônquica e anemia falciforme).

De acordo com o médico e professor do Instituto de Medicina Social da Uerj Mario Dal Poz, os sintomas começam subitamente, podendo ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dores nas costas. Também podem surgir manchas vermelhas pelo corpo. A febre pode ser alta e durar cerca de cinco dias, com melhora progressiva dos sintomas em até 10 dias.

— Em alguns poucos pacientes, podem ocorrer hemorragias discretas na boca, na urina ou no nariz, mas as complicações são raras — explica o professor.

No entanto, é preciso estar atento aos casos graves. Como a dengue pode ser contraída mais de uma vez por uma mesma pessoa, devido aos quatro diferentes sorotipos de vírus, as chances de alguém desenvolver um quadro crítico são maiores.

Quando a dengue é considerada grave?

Todos os quatro sorotipos de dengue podem produzir formas assintomáticas, brandas e graves, incluindo fatais, aponta Dal Poz. Casos graves podem ocorrer logo na primeira infecção, mas são mais frequentes nas reincidências.

— Existe uma proporção de 20 a 50% das pessoas infectadas que têm a infecção subclínica, ou seja, são expostos à picada infectante do mosquito Aedes aegypti, mas não apresentam a doença clinicamente, embora fiquem imunes ao sorotipo com o qual se infectaram — esclarece Dal Poz. — A segunda infecção por qualquer sorotipo do dengue é predominantemente mais grave que a primeira, independentemente dos sorotipos e de sua sequência. No entanto, os sorotipos 2 e 3 são considerados mais virulentos.

O médico diz que muitos pacientes infectados pela segunda vez não sabem que já haviam sido contaminados antes, já que eles podem não ter apresentado sintomas da primeira vez ou podem ter contraído uma forma branda, facilmente confundida com outras viroses febris.

O que é e quais os sintomas da dengue hemorrágica?

A dengue hemorrágica é uma forma grave de dengue. No início, os sintomas são iguais à dengue clássica, mas a doença pode evoluir para quadros de sangramento e choques a partir do quinto dia. Esses sangramentos, explica Dal Poz, podem ocorrer em diferentes órgãos do corpo e têm potencial para causar a morte. O quadro pode se agravar com a insuficiência circulatória, com chances de levar o indivíduo a um estado de choque.

A dengue hemorrágica exige atendimento médico de imediato. Além de causar os mesmos sintomas da dengue clássica, a doença em sua forma hemorrágica pode provocar uma série de outros problemas.

Veja os sinais de alerta de dengue hemorrágica:

Dores abdominais fortes e contínuas;Vômitos persistentes;Pele pálida, fria e úmida;Sangramento pelo nariz, boca e gengivas;Manchas vermelhas na pele;Comportamento variando de sonolência à agitação;Confusão mental;Sede excessiva e boca seca;Dificuldade respiratória;Queda da pressão arterial.

Uma pessoa com dengue hemorrágica deve ser diagnosticada o quanto antes para que o tratamento seja iniciado rapidamente. Os cuidados incluem hidratação através de injeção de soro na veia, com internação hospitalar para monitoração do paciente. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem.

Como é feito o diagnóstico da doença?

Na avaliação médica, são levados em conta outros fatores, como a possibilidade de ser outra doença com os mesmos sintomas (gripe, rubéola, sarampo e outras infecções virais ou bacterianas). São avaliados os sintomas, o histórico clínico, além da aferição da pressão arterial, checagem dos batimentos cardíacos, dos pulmões, e da busca por manchas e hemorragias que possam confirmar o quadro.

A comprovação da infecção pelo vírus pode ser feita por meio de exame laboratorial. O diagnóstico da doença é geralmente feito através da sorologia chamado ELISA, PCR, isolamento viral e teste rápido. Todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Como é o tratamento contra a dengue?

Ainda não existe um tratamento específico para a eliminar a dengue de uma pessoa após a contaminação. O que se faz é tratar os sintomas da doença, combatendo a febre e prevenindo o agravamento do quadro. Em casos leves, é indicado o uso de analgésicos e antitérmicos, sob prescrição médica. É muito importante a hidratação constante (com água, soro caseiro ou água de coco) e o repouso. Nos casos graves, a internação hospitalar pode ser o caminho recomendado.

Existe vacina para a dengue?

Sim, mas a imunização só é aplicada por aprovação médica e em pessoas que já tiveram ao menos uma infecção por dengue. A vacina é aplicada em três doses no intervalo de um ano e não está disponível na rede pública de saúde. No entanto, outras vacinas com diferentes tipos do vírus já se encontram em período de desenvolvimento.

Como se prevenir?

A melhor forma de evitar a dengue é conter a proliferação do mosquito transmissor, eliminando os criadouros. O Aedes aegypti é atraído por acúmulo de água parada e limpa, onde as fêmeas depositam os ovos na superfície. Esses reservatórios podem ser pequenos ou grandes. Vasos de plantas, pneus velhos, latas e garrafas vazias, calhas, caixas d’água, piscinas abandonadas e quaisquer outros recipientes com água parada podem proporcionar o ambiente ideal para a proliferação do mosquito, principalmente nos meses de calor, a partir de novembro até abril. Mosquiteiros e repelentes, além de roupas que protejam os braços, pernas e áreas expostas do corpo, também são formas de evitar a picada do inseto transmissor.

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Referências:

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