Denise Frossard comenta aposentadoria aos 48 anos: 'Não tinha mais espaço para mim'

Ruth de Aquino
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A série "Doutor Castor", em cartaz no Globoplay, revive os tempos em que a ex-juíza Denise Frossard tirou da toga, aos 42 anos, sua mão de ferro e assinou a sentença de prisão que encarcerou 14 bicheiros - gângsteres incensados por políticos, juízes e empresários. Ver a história contada deste jeito, segundo ela, tem sido uma experiência interessante: "Gostei da série. Uma crítica inteligente à sociedade brasileira permissiva, promíscua, hipócrita. A interpretação é livre, a minha foi essa".

Aos 70 anos, ela concedeu uma entrevista exclusiva à Revista Ela, em que rememorou parte dos episódios narrados na produção dirigida por Marco Antônio Araújo e falou sobre a sua aposentadoria precoce como juíza, aos 48 anos.

"Saí porque não tinha mais espaço para mim. O crime organizado tem vários tentáculos (risos). Ele se infiltra em todas as instâncias estabelecidas e aí eu não excluo nenhuma: os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Não se esqueça de que, na 'lista do Castor' (quem recebia dinheiro e favores), estavam alguns juízes, promotores e políticos."

Na entrevista completa que você confere aqui, a ex-juíza analisa a mudança de voto da ministra do STF Carmen Lúcia, lembra o dia em que mascou folha de coca na Bolívia e fala sobre a perda precoce da mãe. Denise também faz comparações entre os bicheiros de então aos milicianos de agora. "Já naquela época, os milicianos eram os policiais. E os policiais, à exceção dos novos, estavam a serviço do bicho. Hoje ainda por cima atuam em outras áreas, como a construção civil nas comunidades, o gatonet, a venda de gás. Os milicianos continuam a ser a força armada do crime organizado. Veja a Patrícia Acioli (juíza que decretou prisão de oito PMs). Foi executada (em Niterói, há dez anos) com 21 tiros na cara", disse.