Dennis Rodman quer mediar conflito entre Coreia do Norte e Estados Unidos

Por Yanan WANG
Ex-jogador de basquete Dennis Rodman em hotel em Pequim, em 12 de dezembro de 2017

As ameaças de guerra entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos são apenas "um espetáculo", e "ninguém tem o dedo no botão nuclear", declarou à AFP nesta terça-feira o ex-jogador de basquete americano Dennis Rodman, que apresenta-se como amigo de Kim Jong-Un e Donald Trump.

Em Pequim, onde aguarda uma hipotética autorização especial para visitar novamente Pyongyang, o excêntrico ex-astro do Chicago Bulls diz esperar reduzir a tensão entre os dois países, cujos líderes trocam com frequência ameaças de guerra, ou mesmo de aniquilação nuclear.

Para isso, ele propõe organizar uma partida de basquete em Pequim entre norte-coreanos e jogadores do território americano de Guam, uma ilha do Pacífico, perto da qual Pyongyang ameaçou enviar uma salva de mísseis.

Como o líder norte-coreano é fã de basquete, tal encontro permitiria mostra que não existe ódio entre os dois países, garante o ex-atleta.

Dennis Rodman seria, de acordo com sua comitiva, a única pessoa no mundo ao mesmo tempo amigo de Kim Jong-Un e do presidente americano Donald Trump.

O jogador participou, quando Trump era apresentador de televisão, de seu programa "The Celebrity Apprentice".

Os dois líderes "são o mesmo tipo de homem", diz o ex-jogador de basquete. "Eles adoram ter o controle".

Dennis Rodman visitou ao menos cinco vezes Pyongyang. Durante sua última viagem em junho ele não foi recebido por Kim Jong-Un.

Mas em outras visitas os dois cantaram rock, fumaram cigarros e jogaram basquete, porque Kim "vive e respira pelo basquete", assegura Rodman.

- 'Um cara do século XXI' -

O líder de Pyongyang levou seu amigo americano para visitar sua ilha e sua estação de esqui e até permitiu que ele pegasse sua filha, que era apenas um bebê, em seus braços.

Kim Jong-Un "é um cara do século XXI, que é forçado a seguir o caminho traçado por tiranos como seu pai e seu avô", analisa o jogador de basquete.

"Ele provavelmente gostaria de fazer muitas coisas positivas, (mas) a estrutura do sistema não lhe permite (...) Ele quer desencadear esse gatilho que permitiria que seu povo seja mais livre", diz ele.

Sob a liderança de Kim Jong-Un, Pyongyang acelerou seu programa nuclear e balístico, multiplicando testes e disparos de mísseis, com o objetivo ostensivo de ser capaz de atingir todo o continente dos Estados Unidos.

Washington reintegrou em novembro a Coreia do Norte a sua lista negra de "Estados que apoiam o terrorismo", apontando para "assassinatos em território estrangeiro".

Seul acusou Pyongyang de estar envolvido na morte de Kim Jong-Nam, meio-irmão de Kim Jong-Un, em fevereiro, na Malásia.