Departamento de Justiça apresenta recurso contra revisão de documentos confidenciais

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou recurso na sexta-feira contra parte da decisão de uma juíza para suspender a revisão de documentos apreendidos na propriedade do ex-presidente Donald Trump na Flórida, com um pedido para o prosseguimento da investigação sobre o material confidencial.

Investigadores federais interromperam desde a semana passada a revisão de milhares de documentos retirados pelo FBI da mansão de Trump à beira-mar, depois que uma juíza deu razão ao ex-presidente e decidiu nomear um árbitro independente para examinar os arquivos.

O Departamento de Justiça afirma em sua argumentação que a juíza Aileen Cannon "errou fundamentalmente ao designar um perito especial e ao conceder medidas cautelares", mas limitou o recurso apenas aos "quase 100 registros com marcas de confidencial", recuperados da propriedade de Trump.

Adiar a revisão de documentos confidenciais, que são propriedade do governo, segundo a apelação, "impede os esforços do governo para proteger a segurança nacional", afirmou o Departamento de Justiça.

"Também prejudica de maneira irreparável o governo ao impor etapas críticas para uma investigação criminal em curso e forçar a revelação de arquivos altamente confidenciais de maneira desnecessária, inclusive para o advogado do demandante", acrescenta o documento, em referência aos advogados de Trump.

Enquanto Trump enfrenta uma crescente pressão legal, o Departamento de Justiça afirma que os documentos secretos apreendidos foram "provavelmente escondidos" para obstruir uma investigação do FBI sobre a possível gestão incorreta de materiais confidenciais por parte do ex-presidente.

Trump nega qualquer conduta irregular e afirma que a a busca e apreensão em sua mansão foi "um dos ataques mais escandalosos à democracia na história" do país, além de mencionar a operação constantemente em seus atos políticos.

O recurso será examinado por um painel de três juízes no 11º Circuito, mas eventualmente pode chegar à Suprema Corte.

Na quinta-feira, a juíza Cannon designou Raymond Dearie para revisar os arquivos na função conhecida como 'mestre especial".

Dearie emitiu uma ordem na sexta-feira para a equipe jurídica de Trump e o advogado do Departamento de Justiça, com a convocação de uma reunião para a próxima semana em Nova York.

Além do caso dos documentos, Trump enfrenta investigações por suas práticas comerciais, por seus esforços para anular os resultados das eleições de 2020 e pelo ataque 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio por parte de seus simpatizantes.

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