'Depender da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia', diz presidente da França

Sérgio Matsuura
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RIO – Um dos principais críticos internacionais da política ambiental brasileira, o presidente da França, Emmanuel Macron, citou novamente o desmatamento da Amazônia nesta terça-feira, pedindo que a Europa reduza sua dependência da soja produzida no Brasil investindo na produção local.

“Continuar dependendo da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia”, afirmou Macron em seu perfil no Twitter. “Somos consistentes com as nossas ambições ecológicas, lutamos para produzir soja na Europa!”.

O texto foi acompanhado de um pequeno vídeo. Segundo Macron, a dependência da soja brasileira “não é coerente” com o discurso europeu para o meio ambiente.

“Vocês são contra as queimadas na Floresta Amazônica, mas nós vivemos a consequência disso”, disse o presidente francês. “E a maneira concreta de pôr um fim não é simplesmente falar, mas agir. E agir é dizer: nós hoje precisamos da soja brasileira para viver. Então vamos produzir a soja europeia ou equivalente”.

De acordo com estatísticas do Ministério da Agricultura, a França importou 1,7 milhão de toneladas de soja do Brasil em 2020, movimentando US$ 570 milhões. Procurada, a pasta informou que não irá se manifestar sobre as declarações de Macron.

O breve discurso do presidente francês está em linha com plano anunciado em dezembro do ano passado, um dia após o Brasil anunciar o maior patamar de desmatamento desde 2008 na Amazônia.

Na ocasião, o ministro da Agricultura da França, Julien Denormandie, detalhou plano para aumentar em 40% a produção de soja no país num prazo de três anos, e dobrar a área plantada em uma década.

Para isso, o governo francês vai investir ao menos € 100 milhões, cerca de R$ 650 milhões pela cotação atual, em pesquisa, expansão da armazenagem e no convencimento de produtores.

— (A pandemia) revelou uma série de vulnerabilidades e dependências, e a primeira delas é em relação à importação de alimentos — afirmou Denormandie, na ocasião. — E como parte dessa dependência de alimentos, há obviamente a questão das proteínas.