Depoimento de empresário que atropelou ciclista em São Paulo é adiado para 2022

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A audiência de instrução realizada nesta quarta-feira (24), no Fórum Criminal Ministro Mario Guimarães, na Barra Funda (zona oeste de São Paulo), sobre o atropelamento e morte da socióloga e cicloativista Marina Kholer Harkot, em novembro de 2020, foi interrompida sem que o réu, o empresário José Maria da Costa Júnior prestasse depoimento.

Assim, ele será ouvido em uma nova data, provavelmente entre fevereiro e março do ano que vem, quando será decidido se o caso irá a júri popular ou não.

Quatro testemunhas não compareceram ao fórum porque não foram intimadas em tempo (um manobrista, a mulher dele e dois ocupantes do carro onde estava o empresário). Em audiências de instrução, o réu só presta depoimento depois que todas as testemunhas são ouvidas, por isso a interrupção.

A acusação aponta que Costa Júnior assumiu o risco de matar Marina (homicídio com dolo eventual), quando ela pedalava pela avenida Paulo 6º, no Sumaré (zona oeste), na madrugada de 8 de novembro de 2020. Segundo a promotoria e a advogada da família de Marina, o empresário dirigia em alta velocidade, estava embriagado e não prestou socorro.

"Ele tinha totais condições de saber que era uma pessoa que foi atropelada. Ele agiu de forma dolosa, ainda que de maneira indireta", afirma a advogada Priscila Pamela dos Santos, que representa a família de Marina.

Na audiência de hoje, foram ouvidos a cicloativista Renata Falzoni, o viúvo de Marina, Felipe Burato, dois médicos que prestaram atendimento e uma policial militar que também é enfermeira e tentou ajudar Marina após o atropelamento.

Segundo a advogada da família, os depoimentos das testemunhas confirmam as acusações. "A expectativa é de que ele [Costa Júnior] seja pronunciado [levado a júri], porque é isso que os depoimentos baseiam", afirma.

Já a defesa do empresário tenta descaracterizar a denúncia para livrá-lo do júri popular --nesta modalidade, caberiam a sete jurados decidirem se ele assumiu ou não o risco de matar a ciclista. Para isso, tenta classificar o ocorrido como homicídio culposo, sem a intenção.

Caso a argumentação seja aceita, o caso seria decidido por um juiz, não pelo júri.

"Foi um acidente como outro qualquer, que está tipificado como homicídio culposo", afirma o advogado do réu, José Miguel da Silva Júnior. O defensor diz que não há provas materiais de que seu cliente tenha bebido e que também não há como comprovar que estivesse em alta velocidade.

Durante a audiência desta quarta, ciclistas e amigos de Marina se manifestaram em frente ao fórum pedindo que o empresário seja levado a júri. A decisão caberá ao juiz do caso.

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