Depois de apoiar Crivella no segundo turno em 2016, PSD fecha com Paes em 2020

Luiz Ernesto Magalhães
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Foto: Foto: Gabriel de Paiva/14/11/2020

RIO - O candidato a prefeito Eduardo Paes (Democratas) ganhou apoio ''quase por unanimidade'' do PSD na disputa do segundo turno com Marcelo Crivella (Republicanos) que tenta a reeleição. O partido, que chegou a conversar com Paes no período pré-eleitoral, acabou fechando com o PSL, em uma chapa com o ex-chefe da Polícia Civil, Fernando Velloso, como vice do deputado federal Luiz Lima. Velloso estava presente na reunião que selou a aliança, ao lado de Paes, despertando especulações de que ele possa vir a assumir uma pasta estratégica da prefeitura, na área de segurança, como a secretaria de Ordem Pública, se o candidato for eleito no próximo domingo. Paes e o senador Carlos Portinho negaram que o acordo tenha passado pela indicação prévia de cargos.

– Não há conversas nesse sentido. Eu vou montar meu secretariado com quadros técnicos e pessoas preparadas para desempenhar a função. Mas é o que venho dizendo. O Crivella é tão ruim, é o pior prefeito da história do Rio que até a página "Eu odeio Eduardo Paes" está me apoiando. Você tem diferentes linhas políticas me apoiando. Gente de esquerda, centro de esquerda, mais de cento-direita como o PSD. Não há qualquer fisiologismo aqui. Ninguém pediu secretaria alguma. Nem o PSOL, PDT, PT, MDB. Mas recebo com alegria os votos dos eleitores desses partidoas. Represento um conjunto de forças sociais que querem mandar Crivella para casa. E dizer Crivella nunca mais – afirmou Paes.

A aliança com o PSD é marcada por uma curiosidade. Portinho foi secretário de habitação de Eduardo Paes quando ele foi prefeito. Em 2018, o PSD lançou o ex-deputado Índio da Costa que apoiou Crivella no segundo turno. Índio acabou virando secretário de Obras e Portinho voltou para a Habitação. Ao lembrar das participações nos governos, Portinho comparou as gestões, criticando Crivella:

– Com Eduardo Paes na prefeitura, tivemos o período de maior entrega de casas populares na cidade. No governo Crivella, não posso dizer que sequer tive apoio institucional para projetos – disse Portinho.

Mesmo antes da formalização da aliança, Paes já cumpriu agendas com dois dos três vereadores eleitos do partido: Jones Moura – antigo aliado de Crivella que passou para a oposição – e Rogério Rocal, até a semana passada da base de apoio do atual prefeito. O terceiro vereador eleito pelo partido: o ex-PM Gabriel Monteiro não apareceu. Segundo o partido, ele estaria com Covid-19.

Na reunião, Paes voltou a afirmar que Crivella mente. E citou, novamente, uma passagem do Evangelho de São João para chamar o adversário de "Pai da Mentira" – numa alusão bíblica ao Diabo.

– Crivella é um pastor que acabou com a nossa fé no Rio de Janeiro. O Rio precisa de gestão, de alguém que tenha experiência. Não dá para brincar de novo. Nesses quatro anos, além de omisso, Crivella foi um péssimo gestor - disse Paes.

Membro da executiva nacional do PSD, o deputado Hugo Leal, que chegou a se lançar como pré-candidato a prefeito do Rio, não revelou quem dentro do partido era contrário à aliança com Eduardo Paes. E comparou a decisão do partido a um conclave em que se escolhe o Papa:

– Votação secreta é igual a votação de papa – desconversou Hugo Leal.

Paes também defendeu que o Rio volte a atrair empresas para estimular a ocupação do Centro, ajudando a revitalizar a área:

– O Centro dispõe de uma localização privilegiada. Agora é óbvio que será permitido a conversão de alguns imóveis que hoje são comerciais, em residenciais – ressaltou Paes.

O candidato disse que se pareceres técnicos da prefeitura comprovarem que é posssível cobrar R$ 4 de pedágio na Linha Amarela em um único sentido, ele vai apoiar. Mas precisa analisar os documentos. A mudança nas regras do pedágio – cuja cobrança de R$ 7,50 em ambos os sentidos está suspensa há dois meses por decisão judicial – é uma promessa de campanha de Crivella.

– Durante dois anos, nós não fizemos reajustes para as tarifas porque havia um desequilíbrio econômico-financeiro. Se o estudo técnico se basear em um pedágio de R$ 4 essa será a minha defesa.

Paes, no entanto, atacou a ideia de Crivella que prometeu aplicar recursos de empreiteiras suspeitas de terem superfaturado obras para implantar os corredores de BRTs e na recuperação de estações que estão fechadas:

– Se tiver multa, os valores têm que ficar com a prefeitura. A responsabilidade por recuperar as estações são dos consórcios que exploram o serviço e devem oferecer ônibus de qualidade. O dinheiro das multas tem que ir para os cofres da prefeitura e serem gastos em Saúde e Educação – disse o candidato.

Também nesta segunda-feira, o PSD fechou apoio ao candidato do PSL em São Gonçalo, Capitão Nelson. Ele está no segundo turno contra Dimas Gadelha (PT).