Depois de críticas da Otan, Rússia leva ao mar 2 de suas 4 frotas navais

IGOR GIELOW
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia anunciou uma rara mobilização de todas as embarcações de 2 de suas 4 frotas navais, um dia depois de ser criticada duramente pelo secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental), Jens Stoltenberg. Segundo Stoltenberg afirmou em um encontro com os chanceleres georgiano e ucraniano, "a Rússia continua violando a soberania e a integridade territorial da Geórgia e da Ucrânia, continua sua escalada militar na Crimeia e desloca mais forças para a região do mar Negro". Ato contínuo, nesta quinta (3), o Ministério da Defesa russo colocou todos os barcos de sua Frota do Mar Negro e da Frota do Báltico para fazer exercícios de todos os tipos: interceptação, defesa de área, assalto anfíbio, ataque a terra. São cerca de 60 navios em cada uma das frotas. Os exercícios no mar Negro já estavam previstos, e são uma constante, mas não nessa escala, segundo analistas militares russos. No Báltico, também não havia previsão de a frota toda ir ao mar. Baseada no encrave de Kaliningrado, a força é a ponta de lança russa na Europa, seu território mais ocidental. Durante o auge da crise na Belarus, em que a ditadura de Aleksandr Lukachenko enfrenta protestos por fraude eleitoral, o mecanismo de exercícios relâmpago foi usado como demonstração de apoio ao aliado algumas vezes, ante as críticas do Ocidente --repetidas na Otan na quarta. No encontro da véspera, Stoltenberg também havia dito que a "Otan estava reforçando suas posições no mar Negro", onde fica a Crimeia, anexada por Moscou em 2014 após o governo pró-Putin de Kiev ser derrubado. Ele afirmou que um destróier americano e aviões de países europeus estão se exercitando na região. Em relação à Geórgia, o problema é ainda mais antigo. Em 2008, respondendo a uma escaramuça fronteiriça na região separatista russa da Ossétia do Sul, Moscou entrou em confronto com Tbilisi. Outra área russa no país caucasiano, a Abkhásia, também entrou no conflito, que resultou com a vitória separatista, apesar de algumas dificuldades militares russas. E transformou o presidente Vladimir Putin, então premiê mas com poder, num vilão de vez no Ocidente. A assertividade russa segue um padrão. Há duas semanas, após Joe Biden derrotar Donald Trump na eleição americana, houve um incidente entre destróieres russo e dos EUA no Pacífico - uma região usualmente de contencioso entre Washington e Pequim. Na segunda (30), Moscou informou que instalou uma bateria de sistemas antiaéreos avançados S-300 nas ilhas Kurilas, que o Japão disputa a posse desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com isso, o governo de Putin mostra prontidão militar no contexto da pandemia e de transição de poder na potência líder do Ocidente, os EUA. O risco, sempre apontado por analistas, é de choques acidentais nesse cipoal de exercícios e manobras, em especial em lugares com proximidade geográfica e com contenciosos, como o mar Negro.