Depois da Holanda, Bélgica e Itália anunciam suspensão de voos e viagens de trem do Reino Unido

O Globo, com agências internacionais
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Reino Unido anunciou restrição nível 4, a mais grave, depois de descobrirem uma mutacao mais rápida do coronavírus (Foto: Stefan Rousseau/PA Images via Getty Images)
Reino Unido anunciou restrição nível 4, a mais grave, depois de descobrirem uma mutacao mais rápida do coronavírus (Foto: Stefan Rousseau/PA Images via Getty Images)

Vários países europeus impuseram novas restrições às viagens de e para o Reino Unido no domingo (20) devido à preocupação com uma nova cepa do coronavírus que está se espalhando rapidamente por lá.

A Bélgica informou que fechará suas fronteiras para trens e aviões vindos do Reino Unido, seguindo um exemplo da Holanda que suspendeu até 1º de janeiro os voos de passageiros provenientes do Reino Unido. A Itália também anunciou neste domingo (20) a proibição de viagens áereas do Reino Unido devido à preocupação com a variante do vírus.

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A Alemanha estuda 'seriamente' suspender voos do Reino Unido e África do Sul após a descoberta de uma variante da Covid-19 nesses países. E a Espanha, por sua vez, pediu uma resposta "coordenada" da Europa com relação aos voos com o Reino Unido.

Diante desta nova cepa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu para "reforçar os controles" na Europa.

Fora do território britânico, foram detectados vários casos na Dinamarca (9), um na Holanda e outro na Austrália, segundo a OMS, que recomendou aos seus membros "aumentar suas [capacidades de] sequenciamento" do vírus, afirmou uma porta-voz da OMS Europa.

Bélgica

No caso da Bélgica, a suspensão dos voos e viagens de trens provenientes do Reino Unido será por um período mínimo de 24 horas a partir da meia-noite deste domingo como uma "precaução" contra uma cepa infecciosa do coronavírus, de acordo com o primeiro-ministro Alexander de Croo, que acrescentou que o prazo pode ser estendido após estudos mais conclusivos.

A decisão do governo belga veio um dia após o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciar novas medidas restritivas em Londres e partes do sudeste da Inglaterra até 30 de dezembro, diante de evidências que apontam que uma variante do novo coronavírus em circulação pode ser até 70% mais contagiosa.

As pessoas que chegam do Reino Unido são obrigadas a cumprir quarentena — algo que enfrentaram de qualquer maneira sob as regras de viagens existentes da Bélgica.

O governo belga informou ainda que está dialogando com a França para monitorar de perto as pessoas que chegam do Reino Unido de carro e vai aumentar os controles na fronteira.

Itália

A suspensão dos voos procedentes do Reino Unido foi anunciada também neste domingo pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, após o alerta sobre a variante do coronavírus.

"O Reino Unido lançou um alerta sobre uma nova forma de covid-19 que seria o resultado de uma mutação do vírus. Como governo, temos o dever de proteger os italianos e, por essa razão, vamos assinar com o ministro da Saúde um decreto para suspender os voos com o Reino Unido", escreveu Di Maio em sua conta no Facebook, sem especificar quando esta medida entrará em vigor.

"Nossa prioridade é proteger a Itália e nossos compatriotas", completou Di Maio.

Espanha

O governo da Espanha informou neste domingo que pediu a Bruxelas uma resposta "coordenada" em relação aos voos com o Reino Unido, depois que vários países da região anunciaram que suspenderão suas conexões aéreas com aquele país devido a uma nova cepa do coronavírus.

“O objetivo é proteger os direitos dos cidadãos da comunidade através da coordenação, evitando o unilateralismo”, explicou o governo espanhol em um comunicado, no qual afirma que se não houver ação conjunta, Madri tomará medidas “em defesa dos interesses e direitos dos cidadãos espanhóis ".

Holanda

Em um comunicado à imprensa publicado na madrugada de sábado para domingo, o governo holandês indicou que restrições adicionais podem ser decididas de acordo com a evolução da situação. A nota recomenda aos holandeses a não viajar, a menos que seja absolutamente necessário, a fim de evitar a propagação vírus.

Alemanha

Uma fonte próxima ao Ministério da Saúde alemão informou à AFP que o governo está estudando "restringir o tráfego aéreo procedente do Reino Unido e da África do Sul".

Lockdown

Essas medidas acontecem ao mesmo tempo em que um terço da população inglesa inicia um reconfinamento, devido a uma nova cepa do coronavírus que circula "fora de controle", segundo o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock.

Diante desta nova cepa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu para "reforçar os controles" na Europa.

Fora do território britânico, foram detectados vários casos na Dinamarca (9), um na Holanda e outro na Austrália, segundo a OMS, que recomendou aos seus membros "aumentar suas [capacidades de] sequenciamento" do vírus, afirmou uma porta-voz da OMS Europa.

70% mais contagiosa

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson já havia explicado no sábado que Londres e o sudeste da Inglaterra voltariam a respeitar um confinamento rigoroso, às vésperas das festas natalinas, porque uma nova variante do vírus circulava muito mais rápido.

Em declarações à Sky News, Hancock disse que a situação era "extremamente séria".

"Será muito difícil controlá-la até que tenhamos distribuído a vacina", afirmou. “Teremos que lidar com isso durante os próximos dois meses."

Os cientistas descobriram esta variante em um paciente em setembro.

Susan Hopkins, de Saúde Pública da Inglaterra (PHE), disse à Sky News que a agência avisou ao governo na sexta-feira, depois que os estudos revelaram a gravidade da nova cepa.

A cientista confirmou os dados divulgados por Johnson, que estabelecem que esta variante pode ser 70% mais contagiosa.

Desde a semana passada, a Europa é a região do mundo com mais mortes pela Covid-19, com mais de 514 mil óbitos desde o início da pandemia há quase um ano.

Para evitar que o vírus se propague ainda mais durante as festas de Natal e Ano Novo, vários países impuseram novas restrições mais rigorosas.

Na Holanda, está em vigor um confinamento de cinco semanas, e as escolas e comércios que não são essenciais permanecerão fechados até meados de janeiro.

Itália, um dos países mais afetados com mais de 68.400 mortes e quase dois milhões de casos, impôs novas medidas para as festas, entre 21 de dezembro e 6 de janeiro: só estará permitida uma saída ao ar livre diária por casa, não estará permitido viajar entre regiões e bares, restaurantes e lojas não essenciais estarão fechados.

Sem "pressa" no Brasil

No restante do planeta, o vírus continua se espalhando. No total, o coronavírus cobrou mais de 1,6 milhão de vidas em todo o mundo e infectou mais de 76 milhões de pessoas, de acordo com uma contagem da AFP neste domingo com base em fontes oficiais.

A Rússia superou os 50 mil mortos por Covid-19, segundo as autoridades de saúde, embora os especialistas acreditem que o número real é muito maior. Um ex-funcionário da agência estatística nacional russa, Alexéi Raksha, fala de 250 mil mortos.

No Chile, os novos casos confirmados aumentaram 22% na última semana, despertando preocupação no governo sobre um possível novo pico pandêmico.

E em El Salvador, o governo pediu à população para cumprir com as medidas sanitárias para conter um aumento dos casos.

No Brasil, o segundo país do mundo com mais mortos (186.356) atrás dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro não parece tão preocupado com o assunto.

"A pandemia realmente está chegando ao fim. Os números têm mostrado isso aí. Estamos com uma pequena ascensão agora, o que se chama de pequeno repique; pode acontecer. Mas pressa para a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas", disse o presidente em uma entrevista com seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, no YouTube.

A maioria dos países aguardam impacientes o início das campanhas de vacinação, que se apresentam como a única forma de conter o vírus.

Na União Europeia, começarão a partir de 27 de dezembro, seguindo os passos dos Estados Unidos e Reino Unido.

Rússia e China também começaram a administrar vacinas em seu território produzidas em nível nacional.