Depois de falar que índios são indolentes, General Mourão se declara indígena

O General Hamilton Mourão durante Convenção Nacional do PRTB no Esporte Clube Sirio em São Paulo (SP), neste domingo (05). Jair Bolsonaro anunciou o General como seu vice, na Convenção do PSL neste mesmo domingo (05). (Renato S. Cerqueira/Futura Press)

Mesmo depois de declarar que brasileiros herdaram a “indolência dos índios e a malandragem dos africanos” para justificar os problemas sociais e econômicos do país, o candidato à vice da chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), General Hamilton Mourão (PRTB) se registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como indígena.

Na semana passada, em primeiro pronunciamento depois de assumir a vaga, falou que “ainda existe o complexo de vira-lata aqui dentro do nosso país, infelizmente, e nós temos que superar isso. E está aí essa crise política, econômica e psicossocial. Nós temos uma herança cultural, uma herança que tem muita gente que gosta do privilégio. Então essa herança do privilégio é uma herança ibérica, temos uma certa herança da indolência que vem da cultura indígena – eu sou indígena, presidente, meu pai era amazonense. E a malandragem, Edson Rosa (vereador negro que estava ao lado dele), nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”.

Após a repercussão negativa de sua fala, Mourão disse que foi mal interpretado e ressaltou que em momento algum fez referência a indígenas e africanos de forma pejorativa. Afirmou ainda que não é racista, reforçou sua origem indígena, e disse que “o brasileiro precisa conhecer a sua origem para as coisas boas e não tão boas”.

Em 2016, segundo o TSE, foram 1.715 candidatos que se autodeclararam indígenas. A maior parte dos pedidos de registro foi feita no Norte do país (648), seguido pelo Nordeste (411), Centro-Oeste (284), Sudeste (208) e Sul (114). Do total de candidatos, 173 foram eleitos.