Depois de luto com WandaVision, Marvel fala sobre política e racismo com "Falcão e o Soldado Invernal"

Thiago Romariz
·2 minuto de leitura
Sebastian Stan e Anthony Mackie em ação em
Sebastian Stan e Anthony Mackie em ação em "Falcão e o Soldado Invernal" (reprodução/Instagram)

A década de ouro da Marvel nos cinemas foi marcada por bilheterias astronômicas, um protagonismo na cultura pop em geral, mas também pela ausência da marca em discussões relevantes como diversidade, política e tolerância. Mulheres nunca foram o centro das atenções nas primeiras fases, os personagens negros tinham pouco espaço e qualquer assunto mais espinhoso era deixado de lado quando os Vingadores entravam em cena. Agora, com as séries do Disney Plus, parece que o jogo mudou um pouco.

Desde a tardia estreia de Capitã Marvel e o sucesso arrebatador de Pantera Negra, ficou evidente que o estúdio estava recuperando o tempo perdido sobre todas as questões levantadas anteriormente. Com as produções de streaming, porém, as histórias parecem ir além da recuperação e entram em discussões que importam para o contexto atual da sociedade, e principalmente para o público alvo da marca.

Leia também

Começou com WandaVision, uma série sobre luto protagonizada por uma personagem conhecida pela loucura e descontrole, mas que se transformou em uma história de autocontrole e conhecimento. Agora, com Falcão e o Soldado Invernal o roteiro surpreende ao falar sobre política, nacionalismo e, principalmente, racismo. Se o vácuo deixado pelo Capitão América sempre foi a obviedade explorada pela série, o mesmo não dá pra dizer do papel do Falcão como símbolo do racismo dentro dos EUA, e do próprio universo dos Vingadores.

Em determinada cena, Sam Wilson, que negou ser o novo Capitão, diz para o Soldado Invernal que é muito difícil para ele e para Steve Rogers entenderem que "ele fez o que acha certo"; em outras palavras dizendo, "vocês soldados brancos não entenderiam". 

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

A discussão sobre Wilson ser ou não o novo Capitão deve, tomara, passar pela simbologia de um herói negro assumir o manto. E mesmo que nunca provoque o público com essas questões (a não ser com diálogos de Pantera Negra), a Marvel mostra evolução ao abordar temas tão importantes antes ignorados, afinal, nem mesmo heróis conseguem viver no mundo da fantasia para sempre. Até as dívidas eles têm que pagar.

—————————————————————————

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.