Depois de "WandaVision" e "Falcão e o Soldado Invernal": o que falta nas séries da Marvel

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WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal (Foto: Reprodução/IMDB/Disney)
WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal (Foto: Reprodução/IMDB/Disney)

Em 2008, com o lançamento de "Homem de Ferro", o Marvel Studios deu o primeiro passo para a criação do seu universo cinematográfico. Desde então, todas as produções do estúdio são interligadas como capítulos de uma grande série sem fim. 

Apesar dessa estrutura episódica, o foco sempre foi o cinema, com algumas tentativas no passado de integrar esse universo com produções para a TV aberta como "Agents of SHIELD" e "Agent Carter" e adaptações para o streaming como as séries dos "Defensores" na Netflix (incluindo "Demolidor", "Jessica Jones", "Luke Cage", "Punho de Ferro" e "Justiceiro").

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Até então, essas séries da Marvel ficam em uma subcategoria, circundando os eventos do cinema e sem liberdade para interferir na linha narrativa principal. Com a chegada do Disney+, o serviço de streaming da dona do Marvel Studios, chegou a hora de mudar de estratégia e investir pesado em conteúdos que transformassem os fãs do Vingadores e Cia. em assinantes.

Das 12 séries anunciadas, duas já foram lançadas com a premissa de desenvolver seus personagens para a Fase 4, preparando a Feiticeira Escarlate e o novo Capitão América para suas próximas aventuras cinematográficas. Em função dos atrasos no cronograma causados pela pandemia, "WandaVision" acabou sendo o primeiro lançamento dessa investida, seguida por "Falcão e Soldado Invernal" (antes prevista para ser a primeira série da Marvel no Disney+). Além do calendário, a própria estrutura das séries foi afetada, com os roteiros passando por diversas adaptações dentro das restrições impostas pelo coronavírus nos sets de gravação.

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Fica difícil, então, julgar o resultado final das duas produções sem levar a pandemia em conta, mas já é possível fazer algumas observações sobre essa nova estratégia televisiva da Marvel. Enquanto "WandaVision" aproveitou a oportunidade para explorar a linguagem da TV e entregou uma série estruturada (com episódios usados para desenvolver trama e personagens enquanto conversavam com a linha narrativa), "Falcão e Soldado Invernal" permaneceu mais próxima da linguagem do cinema, sem aproveitar o espaço extra. 

Ao mesmo tempo, "WandaVision" não atendeu a expectativa de muitos fãs, que ficaram mais intrigados pelas teorias envolvendo Mephisto do que pela trama contida da série.

Pela estrutura seriada do MCU, toda ponta solta é uma pista do que virá no futuro. Por muito tempo esse conceito foi essencial para fidelizar o espectador, que passava de filme a filme em busca da narrativa completa. Acontece que esse mesmo conceito pode se tornar uma fonte de frustração, já que nenhuma história fica bem resolvida. Na TV isso fica mais evidente pelo tempo investido. 

Em "Falcão e Soldado Invernal" foram quase seis horas tratadas como um grande filme quando a série poderia ter se aproveitado melhor da sua divisão para aprofundar todos os arcos abertos. A exceção foi, é claro, Sam Wilson, que precisava se transformar no novo Capitão América, já John Walker, inicialmente escolhido pelo governo dos EUA como o substituto de Steve Rogers, deu apenas pistas da sua complexidade (um militar traumatizado transformado em herói, depois em vilão e finalmente em anti-herói, tudo em alguns minutos).

Agora cabe a Loki, que estreia em junho, criar um panorama mais completo das intenções das séries do MCU. Até agora, o objetivo parece ser preencher o vazio entre as histórias do cinema, transformando personagens, mas sem afetar a narrativa geral da Fase 4. 

Um formato que, considerando as ausências cinematográficas causadas pela pandemia, acaba deixando o espectador sempre com a sensação de que falta alguma coisa. Ironicamente, o estúdio que transformou o cinema ao levar a linguagem das séries para a tela grande, ainda precisa entender como contar suas histórias de forma satisfatória na TV.

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