Depois de falar em prorrogar auxílio, Guedes diz que governo não vai fazer 'aventuras'

Marcello Corrêa e Manoel Ventura
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Pablo Jacob / Agência O Globo
Pablo Jacob / Agência O Globo

BRASÍLIA - Depois de defender a prorrogação do auxílio emergencial em caso de uma segunda onda da pandemia de Covid-19, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reforçou nesta sexta-feira a defesa do controle de gasto e disse que o governo não fará "aventuras" no ano que vem.

A declaração foi dada um dia após Guedes mencionar que, caso os casos de doença voltassem a crescer, a União prorrogaria o auxílio emergencial, o que exigiria a suspensão de regras fiscais. O risco de descontrole de gastos foi apontado por analistas do mercado financeiro.

Diante da má repercussão, o ministro buscou fortalecer o discurso de responsabilidade fiscal. Ele afirmou que o plano A do governo é retomar a agenda de reformas e, sem mencionar diretamente a extensão do benefício, disse que os outros caminhos são "hipóteses de probabilidade menor".

— Estamos seguindo nosso programa, só que esse programa tem que ser acelerado. Esse é o nosso plano A. Tudo mais são hipóteses de probabilidade menor. Nossa hipótese de trabalho é essa: o Brasil voltou (a crescer). E o Congresso vai acelerar as reformas — disse Guedes, em palestra no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex).

O ministro descartou a hipótese de abrir brechas no Orçamento para ampliar o Bolsa Família, já que governo e Congresso não chegaram a um acordo para criar o Renda Cidadã.

— Se nós conseguirmos criar um produto melhor dentro da responsabilidade fiscal, corretamente financiado, criaremos. Se não, o presidente já deu a última palavra. Enquanto essa discussão não estiver estabelecida, e ela não está, o que vai acontecer é o seguinte: vamos voltar para o Bolsa Família e acabou. Nós não vamos fazer aventura, não vamos gastar o que não pudermos. Ou tem sustentação fiscal ou não interessa — afirmou o ministro.