Depois de parcerias com Drake e Will.i.am, Kevin O Chris quer fazer música com Cardi B

Luana Santiago
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Se depender de Kevin O Chris, as parcerias musicais internacionais não param em Drake, Will.i.am e Post Malone. Em entrevista ao EXTRA, o funkeiro, que lançou clipe ''Aqui na funk house'' na tarde desta terça-feira, revelou que tem vontade trabalhar com a rapper Cardi B e a cantora Rosalía futuramente.

— O gringo gosta da nossa cultura e conhece o Brasil por causa da nossa música. Fiz um funk com o Will.i.am nessa quarentena (''5 estrelas''), e agora tô louco pra fazer uma com a Cardi B e Rosalía. Imagina? Satélite demais — comentou o cantor, que admite não ter descansado muito durante o isolamento social: — Pô, eu trampei bastante. Eu já estava cheio de ideias antes da pandemia, umas paradas ainda não terminadas. A quarentena me deu tempo para gravar esses trampos. E uma ideia vai puxando a outra, uma parada vai abrindo pra outra. Eu praticamente morei no estúdio.

A inspiração para tantas músicas novas veio, é claro, da comunidade:

— (A favela) É a inspiração de tudo o que eu canto. É essa vida de favela que me traz ideias para novas músicas, novas batidas. Consegui ficar perto da minha comunidade e família nesse tempo de quarentena.

E foi durante o período de isolamento social por causa da Covid-19 que Kevin recebeu uma grande notícia: que se tornou o primeiro funkeiro a ultrapassar um bilhão de streams no Spotify.

— A gente rala muito, cara, que, quando vem uma notícia dessa, demora pra ficha cair. Maior tempão dentro de um estúdio, estudando e trampando. E esses números chegam para mostrar que estamos no caminho certo, e que isso é o que eu sei fazer de melhor da minha vida. Eu sou da favela, comecei na pendura, mas nunca desisti do sonho. Sou o mesmo de antigamente, que quer deixar as pessoas felizes e dar conforto pra minha família — afirma o cantor de 22 anos.

Mas o período de isolamento já acabou para Kevin, que gravou o DVD ''Todo mundo ama o Chris'' no início de novembro. Algumas das novidades concebidas na quarentena foram apresentadas no show em formato quadradinho.

— Durante a quarentena eu me liguei de trazer batidas novas pro meu funk para chegar em mais gente. Botei uns instrumentos de corda na produção, brinquei com outros sons. E também trampei muito com novos talentos do funk, uma rapazeada nova que tem as mesmas origens que eu. A gente consegue brincar com vários ritmos, só tem que estudar para pegar cada vez mais referências — comenta o artista, que acredita que é trabalhando que enfrenta quem ainda tem preconceito como gênero musical: — Acho que é mostrando a minha raiz e trampando muito que eu lido com os haters, saca?

E ele se orgulha muito do que já alcançou em tão pouco tempo, principalmente quando considera o que representa para outros artistas de comunidades cariocas.

— Acho que ver o funk crescendo e os MCs fazendo sucesso no país inteiro dá orgulho pra geral que é de favela. É a nossa história que tá sendo cantada, e o gringo também quer conhecer a nossa realidade. A vida dentro da comunidade é corrida, é cansativa e é muitas vezes triste. Mas é essa rotina que me dá inspiração pra compor — reafirma ele.