Depois de quatro anos em Lisboa, onde abriram a Brisa Galeria, Daniel Mattar e Bebel Moraes trazem pela primeira vez sua arte ao Rio

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A primeira coisa que o fotógrafo e artista plástico Daniel Mattar fez ao chegar ao Rio, na semana passada, foi dar um longo mergulho no mar. “Estava com saudade de sentir o sal na pele e a água em uma temperatura suave, sem precisar usar roupa de borracha. Fez falta essa conjunção da água de coco com a água do mar”, comenta ele. Já a stylist e galerista Bebel Moraes foi em busca de um palmito fresco para assar. “Eu amo e não temos assim em Portugal”, conta.

Depois de quase quatro anos sem pisar no Brasil, o casal queridinho da moda carioca, que se mudou para Lisboa para se dedicar à arte, chega para participar da feira ArtRio. A exposição solo, que abre nesta quarta-feira, será no espaço da galerista Marcia Barrozo do Amaral. “Abrimos a Brisa Galeria, no Chiado, há 3 anos e meio e gostamos de estar presentes, recebendo quem nos visita. Nossos filhos foram viver conosco, veio a pandemia... Quando percebemos, foram anos sem voltar ao Brasil”, conta Bebel, que, antes de administrar a galeria, fez seu nome assinando stylings de editoriais e desfiles de marcas de moda brasileiras, de Richards e Osklen a The Paradise e Martu.

Será a primeira vez que as obras da nova fase de Daniel estarão em exposição por aqui. E já se percebe um certo frisson: admiradores e amigos querem ver de perto os quadros em tamanho máxi, uma marca do fotógrafo que por décadas foi um dos mais badalados da moda brasileira — e clicou inúmeros editorais, com styling de Bebel, para o antigo Caderno ELA. “Sempre fiz trabalhos de arte (em 2012, ele apresentou, no Centro Cultural Sérgio Porto, a série “Simulacro”, feita em Tóquio, retratando o mundo hiperreal do Japão do século XX), mas a agenda de ensaios não permitia dedicação total”, comenta. “Meus quadros têm um impacto visual muito grande. Por isso, é tão importante experimentá-los fisicamente e não apenas por sites e redes sociais. A minha pesquisa é exatamente em cima dessa escala. Trabalho numa superfície de quatro centímetros que explode em uma obra de dois metros. A arte acontece nessa estranheza que leva o micro ao macro”, completa.

Para a feira, a galerista Marcia Barrozo do Amaral selecionou 15 obras do artista, com dimensões que vão de 70cm por 70cm a 1,80m por 1,50m. “Conheci o trabalho do Daniel pelo Instagram e fiquei encantada: cor e luz depois de um período tão cinzento, tão triste. Me comoveu, foi um respiro. Para completar, vi uma obra na casa do arquiteto Chicô Gouvêa e não tive nenhuma dúvida: é ele”, lembra Marcia.

As obras selecionadas são de três séries diferentes, mas todas conversam de alguma maneira entre si. Afinal, são parte de uma pesquisa da tridimensionalidade no plano: em pequenas superfícies, Daniel pinga gotas de tinta e, imediatamente, faz o registro, antes que elas se espalhem ou sequem. “Uma série acaba puxando a outra. Geralmente, trabalho em três ao mesmo tempo. Então, sempre têm uma liga”, diz Daniel. “Me emocionou o convite da Marcia. Ela cuida do acervo Frans Krajcberg (1921-2017), que acho incrível”,completa.

A interseção da pintura com a fotografia está presente nos quadros do artista Daniel. Em seu ateliê no Chiado, pinceladas de tinta já foram parar até em sua câmera. “A última etapa do trabalho é fazer o clique. O Dani encontrou uma forma de pintar com a fotografia. As peças têm volume e isso acontece por conta da luz e da sombra”, observa Bebel.

A impressão cuidadosa é feita na Alemanha e, no Brasil, em um laboratório, em São Paulo, também comandado por um alemão. “A precisão das cores é essencial. Qualquer desvio faz diferença”, diz Daniel.

Asim que finalizarem a ArtRio, eles retornam para Lisboa. No dia 23 de setembro, a dupla abre uma nova exposição na Terrinha. As obras de Daniel vão dialogar com o trabalho da também fotógrafa e artista plástica Maritza Caneca. “Geralmente, quando recebemos artistas convidados, dividimos a galeria em duas e deixamos as obras em ambientes separados. Mas, dessa vez, os trabalhos serão montados como dípticos e trípticos, para serem vistos como únicos”, adianta Bebel.

De volta à rotina lisboeta, eles pretendem retomar o ritmo mais tranquilo do dia a dia, meditar diariamente e trabalhar para levar novos ventos à Brisa.

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