Depois do Rio, SP deve diminuir período de isolamento para casos positivos de Covid-19

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SÃO PAULO — Após a decisão do Rio de diminuir o período de isolamento domiciliar para pessoas com Covid-19 para sete dias, a cidade de São Paulo também deve abreviar esse tempo de afastamento. A alteração, contudo, só será realizada com aval do Ministério da Saúde.

Há pouco mais de uma semana, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA reduziu o tempo recomendado de isolamento em caso de resultado positivo de 10 dias para cinco dias se não apresentarem sintomas — e se usarem máscaras por pelo menos mais cinco dias. Outros países adotam medidas semelhantes.

O secretário de Saúde da capital paulista, Edson Aparecido, informou ao GLOBO que a pasta estuda reduzir o tempo de quarentena baseado na mesma decisão do CDC. Mas ele explica que a gestão prefere ter liberação do governo federal em decisões importantes, por prudência, antes de realizar uma mudança do tipo.

—Estamos avaliando realizar uma solicitação formal (para diminuição da quarentena) ao Ministério da Saúde, para que ele autorize a mudança. Não faremos sozinhos. Queremos essa redução, até porque a variante Ômicron tem um nível de agravamento menor. Vamos discutir o documento agora, pode ser que enviemos isso hoje ou amanhã, ao Ministério da Saúde. Nesse pedido, a quarentena dos assintomáticos seria reduzida de 10 para 5 dias — diz Aparecido.

Para o infectologista Alberto Chebabo, vice-diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a medida se justifica pela explosão de casos provocados pela variante Ômicron que não só o Brasil, mas o mundo enfrenta.

— Não sei se é totalmente seguro, mas certamente será necessário. O maior impacto que vamos ter agora é o absenteísmo, é o que vemos em países que estão na nossa frente nessa onda. Há um desarranjo total na capacidade de atender a população em todos os serviços, da saúde à telefonia. Em alguns lugares, a força de trabalho licenciada chega a 20%, 25%. A Austrália, hoje, autorizou enfermeiras a trabalharem doentes, na França, foram os médicos. É o caos — explica.

O médico reconhece que o tema é controverso entre especialistas porque os estudos que abordam o tempo de transmissão são de antes da vacinação e do surgimento de variantes como a Ômicron.

Dessas pesquisas, o que se constatou é que a transmissão é maior nas 24h ou 48h que antecedem o surgimento dos sintomas até o terceiro ou quarto dia. A partir de então, a chance de passar o vírus vai caindo até ficar bem baixa no sétimo dia.

—Então, com base nesses dados, países como Inglaterra e França recomendaram reduzir o isolamento para sete dias nos assintomáticos. Claro que isso não vale se a pessoa tem febre ou sintoma respiratório. Alguns exigem testagem, outros não. Mas a exigência é, pelo menos até o décimo dia, usar máscara o tempo todo para evitar mais risco. São medidas de contingência. É o que dá para fazer agora — afirma Chebabo, para quem há certo exagero nos EUA. — O CDC baixou para cinco dias. Aí já acho demais.

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