Depois de rodar o mundo, Marcelo Eco, grafiteiro de São Gonçalo, volta à cidade para pintar monumentos

Leonardo Sodré
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Marcelo Eco durante a execução da obra “Raiz forte”, na fachada do Teatro Municipal de São Gonçalo
Marcelo Eco durante a execução da obra “Raiz forte”, na fachada do Teatro Municipal de São Gonçalo

Foi nas ruas de São Gonçalo, onde nasceu, que o artista Marcelo Eco começou a fazer arte nos muros com apenas 12 anos de idade, há quase três décadas. Depois de rodar o mundo com suas obras, ele voltou às origens nas últimas semanas para uma série em monumentos públicos que dão aos moradores a real dimensão que alcançou o seu trabalho. “Raiz forte”, concluída na última segunda na fachada do novo Teatro Municipal George Savalla Gomes — Palhaço Carequinha, é a que faz referência a esse momento. Esta semana, Eco termina de pintar um pórtico e um obelisco na Praça Luiz Palmier, no Centro.

A primeira obra da série foi “Eco x Ego”, na Área de Proteção Ambiental Estâncias de Pendotiba, em Maria Paula. Para fechar o projeto, ele ainda prepara “Linkando”, que vai começar a fazer na fachada da Casa das Artes Villa Real, no Zé Garoto, quando finalizar o pórtico.

O artista, atualmente radicado em São Paulo, comemorou poder voltar à terra natal, a convite da prefeitura, para desenvolver o projeto.

— É algo que eu quero deixar de presente para a cidade. Tenho uma consciência forte sobre isso e pensei em tudo. Montei essa série para deixar algo grandioso, com excelência, que só um gonçalense mesmo poderia pensar para a sua cidade — considera.

Em 2018, Eco fez um trabalho no Teatro Municipal de Ribeirão Preto. Desde que iniciou a carreira na arte, ainda na adolescência, criou e expôs em França, Itália, Alemanha, Holanda, Egito, Angola, Chile, Argentina e outros países. Para a fachada da sala do teatro gonçalense, criou um mosaico com volumes que parecem fazer as formas geométricas da pintura saltarem.

— Pensei muito em um grande ser humano, nessa força do trabalhador daqui, que emana arte no seu dia a dia. Nós temos excelentes músicos, que tocam com grandes artistas, por exemplo, que se desenvolveram sozinhos ou nas igrejas. Essa força de vontade está sempre presente. Mas é claro que isso está mais na minha concepção, mais na minha cabeça do que de forma figurativa na obra — explica.

O Teatro Municipal de São Gonçalo foi entregue oficialmente em agosto deste ano, depois de quatro anos fechado. O equipamento cultural chegou a ser inaugurado na gestão anterior da prefeitura, mas nunca funcionou, por pendências que travaram o licenciamento da obra. A sala de espetáculos, com 240 lugares divididos entre plateia e mezanino, ainda não foi aberta ao público, segundo a Prefeitura de São Gonçalo, devido às medidas de prevenção contra o novo coronavírus.