Depois de ser processado por Abel Ferreira, Mauro Cezar recebe ameaças, diz sindicato

Abel processou Mauro Cezar por opinião do jornalista sobre uma suposta "visão colonialista" do treinador português Montagem Lance! Fotos: Cesar Greco / Palmeiras; Reprodução


Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, processou Mauro Cezar após o jornalista dizer que ele teria uma “visão de colonizador”. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) emitiu uma nota, nesta sexta-feira, afirmando que Mauro teve o número vazado e está recebendo ameaças e defendeu o jornalista.

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– O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam os ataques que o jornalista Mauro Cezar Pereira vem sofrendo nas redes sociais e por mensagens, após ter o seu número de celular vazado, inclusive com graves ameaças à sua integridade física e de familiares – o SJSP escreveu em seu site oficial.

Na sequência da nota, o Sindicato defende que a fala de Mauro Cezar foi mal interpretada pelo treinador do Palmeiras e afirma que o técnico estaria utilizando a Justiça para intimidar o comentarista.

– Mais uma vez figuras públicas e com grande poder econômico se utilizam da Justiça para intimidar e cercear jornalistas – diz o texto, que chegou a utilizar o termo “censura indireta” para se referir à atitude de Abel.

Depois da publicação da nota, jornalistas como Arnaldo Ribeiro, da BandSports, e Thiago Simões, da ESPN, se revoltaram com a situação pela qual o colega de profissão estaria passando.


Confira a nota do Sindicato na íntegra:

"O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam os ataques que o jornalista Mauro Cezar Pereira, comentarista esportivo da TV Cultura e da rádio Jovem Pan e articulista do portal UOL, vem sofrendo nas redes sociais e por mensagens, após ter o seu número de celular vazado, inclusive com graves ameaças à sua integridade física e de familiares.

Tais ameaças se deram após a divulgação na imprensa do ingresso de ação por danos morais e queixa-crime por parte do técnico esportivo Abel Ferreira em face do jornalista. Mauro Cezar criticou uma declaração dada por Abel Ferreira, em entrevista coletiva, quando, ao analisar a situação de um atleta que foi flagrado bebendo nas vésperas de uma partida, teceu comentários sobre a carência na formação educacional no Brasil. Para o jornalista, tal fala carregava a “visão do colonizador”, já que a situação de atletas indisciplinados também ocorre em outros países considerados desenvolvidos.

Na ação, o técnico tenta desqualificar a isenção do jornalista fazendo ilações de que o mesmo é torcedor de um clube rival, bem como tenta deturpar o sentido da crítica sobre a “visão colonizadora” da sua fala, ao atribuir a Mauro Cezar a opinião de que Abel teria “o intuito de explorar, escravizar ou subjugar o povo brasileiro”.

O colonialismo cultural é denominado pela opressão que permanece nas nações colonizadas por meio da cultura, mesmo depois do fim do colonialismo formal. Mauro Cezar disse: “visão do colonizador. Fala em tom professoral como se estivesse ensinando pra nós brasileiros como a gente deve se comportar”, após o técnico fazer uma crítica genérica à formação do povo brasileiro. Em nenhum momento o jornalista dá a entender que Abel Ferreira teria um posicionamento escravocrata.

Mais uma vez figuras públicas e com grande poder econômico se utilizam da Justiça para intimidar e cercear jornalistas. Não se desconhece o direito de ação que qualquer cidadão que se julgue ofendido possa exercer. Contudo, esse direito deve ser exercido com responsabilidade, levando em consideração a avalanche de casos graves que atravancam o Judiciário e a possibilidade que figuras públicas detêm de rebater às críticas jornalísticas e esclarecer seus pontos de vista pelo amplo acesso que possuem aos microfones da própria imprensa.

A liberdade de informação e o direito de crítica estão inscritos na Constituição e fazem parte do regular exercício da liberdade de imprensa.

Em sua atividade profissional, o jornalista emite opiniões e faz comentários sobre futebol, exercendo o direito de crítica. Os que discordam têm todo o direito, também, de rebater seus argumentos e apresentar o que pensam a respeito. O que não se pode admitir é a tentativa de calá-lo por intermédio de ações judiciais intimidadoras. Isso caracteriza censura indireta, contra a qual os jornalistas e os cidadãos brasileiros tanto lutaram.

O SJSP defende o exercício do jornalismo expresso na atividade de Mauro Cezar Pereira e ressalta a importância de seu trabalho de crítico esportivo. Além disso, o Sindicato se manifesta contra qualquer tipo de censura ou restrição ao trabalho jornalístico e em defesa da liberdade de expressão e do direito de crítica contido na liberdade de imprensa."