Depois de um tempo longe do Rio, Rogério Fasano reabre o Gero no térreo do Hotel no Arpoador

Luciana Fróes
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Trinta quilos mais magro e impressionantemente bem disposto para quem, por dois anos, encarou e superou sérios problemas de saúde, Rogério Fasano, de 58, está de volta ao Rio. Foi aqui que ele realizou um transplante de fígado no início de outubro, como contou recentemente em uma campanha nacional em prol da doação de órgãos. Comemorando a nova vida, neste domingo, o restaurateur faz renascer o Gero, que passa a ocupar o térreo do Hotel Fasano, após 20 anos funcionando na casa de tijolinhos da Aníbal de Mendonça. Na quarta, o antigo espaço vira o Panini Gero, especializado em sanduíches italianos, pastas e pizzas, que sairão do forno à lenha instalado no salão.

Os imbróglios com sócios, que sacudiram a vida do empresário serenaram. Reina a paz. “Tudo é página virada, vida que segue.” Rogério não relutou em fechar o Fasano al Mare, que saiu de cena treze anos depois. “Era formal, frio. Não ‘falava’ com os hóspedes, nem com os cariocas. Restaurante é como um casamento, se vai mal, é terminar e partir para outra”, diz Rogério, que escalou o arquiteto carioca Miguel Pinto Guimarães para dar novos ares ao espaço.

Miguel incluiu um adorável deque ao ar livre, com mesas, ombrelones e brisa do mar chegando junto. A área externa emenda com a já existente na lateral do prédio, formando um simpático espaço aberto. O Gero “cariocou” de vez, tanto que as bermudas estão liberadas. “Mas há bermudas e bermudas”, pondera Danio Braga, que está de volta ao salão do restaurante.

A certa altura da minha conversa com Rogério, lembramos da coleção de fotografias em p&b do Rio, feitas pelo fotógrafo César Barreto, que decoravam as paredes do Gero original. “Cadê as fotos? É urgente. Já sei até onde elas vão ficar: na parede de tijolinhos”, orientou a um funcionário do Gero sorridente e bem-humorado, que havia passado a manhã se exercitando na academia do hotel.

O troca-troca de endereços não é uma novidade na trajetória do restaurateur: ele já mudou o endereço do Fasano de São Paulo três vezes. E foi no hotel onde o estabelecimento encontrou o seu local definitivo. “Não estava nem um pouco animado em retomar a operação do Gero naqueles mesmos moldes. A casa nos deu grandes alegrias. Mas parou de dar. Hoje, quero simplificar a vida, enxugar as operações, poder me dedicar com tranquilidade. Não aguentava mais reuniões e preocupações com isso ou aquilo que não estava dando certo. Chega. Cansei”.

É o italiano Luigi Moressa, o mesmo chef que inaugurou a casa em 2002, quem está na cozinha. No cardápio, uma mescla de pratos de sucesso do Al Mare, os hits do Gero e algumas novidades: carpaccio Alla Gero (filet mignon, rúcula, parmesão e vinagre balsâmico), o spaghetti profondo mare (spaghetti com lulas, camarões, vieiras, cavaquinha e tomate fresco), o ossobuco alla meneghina (ossobuco de vitela assado com risoto ao açafrão), tortelloni di ricotta e spinaci, al burro e salvia (massa fresca recheada com ricota e espinafre na manteiga de sálvia) e, para fechar, cremosoi cioccolato fondente 80% con gelato al contreau e biscotto salato (creme de chocolate amargo 80% com sorvete ao contreau e biscoito salgado). “Nosso cardápio tem uma proposta mais solta, nada de menu degustação. É mais atual. A gastronomia mundial está caminhando nessa direção”, resume Moressa.

Mesas e cadeiras do Sergio Rodrigues vieram do Gero Barra, que, até segunda ordem, permanece fechado. Gero Trattoria, no Shopping Leblon, já retomou as atividades, assim como o Marea, o quiosque no calçadão, o menos “italiano” do grupo, com cardápio recheado de coxinhas, bolinhos de bacalhau, pastéis...

A expectativa em torno do Gero Panini é grande, um espaço informal, jovem, divertido e mais em conta, que estará no comando do maître Alves, há décadas no grupo. No menu, piadinas (pão típico italiano levinho, que chega quente, recheado de búfala e tomates); paninis e tostados numa infinidade de versões; e a “verdadeira” pizza napolitana. “Massa grossa e nada de queijo puxa-puxa. Muito tomate e búfala só no final”, deixa claro Rogério. E drinques e bons vinhos no bar.

Com as novidades cariocas, são 7 hotéis e 14 restaurantes sob o comando de Fasano e sua equipe. E vem mais por aí. Mês que vem, o grupo JHSF (sócio do Fasano) inaugura o primeiro Hotel Fasano em Nova York, com 12 apartamentos na Quinta Avenida. Dois meses depois, será a vez do restaurante homônimo abrir as portas na Park Avenue, no topo do prédio onde funcionou o emblemático restaurante do Hotel Four Seasons. “Está lindo, lindo. Temos tudo para ser capa do ‘New York Times’. Mas a pandemia tem que passar...”, diz o restaurateur.

No mais, a mudança é geral. Além da vacina, ele espera o o.k. dos médicos para voltar a pilotar a vespinha reluzente, que já chegou de São Paulo, e o aguarda estacionada na porta do Hotel Fasano. “É o meu momento de plenitude no Rio. Sentir o ventinho na orla carioca batendo no rosto me revigora, me enche de energia”.