Deputada disse a Moro que Bolsonaro iria 'cair' com demissão e apagou mensagem após saída

Natália Portinari
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A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) na tribuna da Câmara
A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) na tribuna da Câmara

BRASÍLIA — Na troca de mensagens entre a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o então ministro da Justiça Sergio Moro para convencê-lo a ficar no cargo, a deputada disse que Bolsonaro iria "cair se o sr. sair". Depois, segundo ela mesma, se arrependeu de ter dito isso — e apagou a mensagem antes de divulgar a conversa.

A troca de mensagens completa, revelada pela TV Globo, mostra trechos que não constavam da conversa exibida por Carla à "CNN Brasil" em abril. Ao GLOBO, ela diz que o contexto da conversa "não tinha nada a ver com o inquérito em si".— Tinha um contexto, que ele não apresentou, não entrou no depoimento. Ele vazou agora para me constranger. Para mostrar que eu apaguei. E eu apaguei porque eu me arrependi de ter escrito — diz Carla.Moro, que é seu padrinho de casamento, não conversou com ela desde que decidiu expôr a troca de mensagens com ela no Jornal Nacional, logo após pedir demissão. Ela mandou uma mensagem para ele logo depois, mas foi bloqueada no WhatsApp.— Eu mandei mensagem para ele dizendo que era um absurdo a situação na qual ele tinha colocado o presidente, que estavam comparando a nomeação do Ramagem (diretor da Polícia Federal) com o Lula. Com a nomeação de um condenado. E aí ele leu a mensagem e me bloqueou. Não foi uma conversa.Para ela, a situação é "muito triste", já que se considerava amiga do ex-ministro. A íntegra da conversa entre os dois foi vazada para constrangê-la, de acordo com a deputada, por ter apagado essas mensagens de "contexto". Zambelli ameaça vazar ela mesma mensagens que trocou com o ex-ministro "na intimidade" que tinham.— Criança, né? Carla Zambelli deseja que Moro deixe de ser criança. Vai arrumar alguma coisa para fazer. Pelo amor de Deus. Fica vazando print de conversa que não tem nada a ver com o inquérito. Está fazendo igualzinho o Verdevaldo — diz, em referência ao jornalista Glenn Greenwald, do "The Intercept", que divulgou supostas mensagens de Moro obtidas por um hacker.