Deputada que criticou ação em Varginha recebe ameaça de morte

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BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputada estadual Andréia de Jesus (PSOL), afirma ter sido ameaçada de morte depois de defender investigação da ação policial em Varginha, região sul do estado, que terminou com a morte de 26 suspeitos.

A ameaça, segundo a parlamentar, foi feita em mensagens às suas redes sociais e no telefone fixo de seu gabinete na Assembleia. O texto de uma das mensagens, mostrada por Andréia, afirma que "seu fim vai ser igual da Mariele (sic)", em menção à vereadora pelo Rio de Janeiro, Marielle Franco, também do PSOL, assassinada em 14 de março de 2018.

Em conversa com jornalistas na tarde desta quinta-feira (4) a deputada disse que as ameaças chegaram também à sua família. A parlamentar tem um filho de 23 anos. Um boletim de ocorrência foi feito pela deputada. "As ameaças não eram de perfis falsos", disse Andréia, que é a primeira negra a ocupar a presidência da comissão.

"(As ameaças) primeiro vieram com xingamentos e frases racistas, sempre tentando diminuir meu papel como parlamentar", afirmou. "Estamos vivendo um momento de antidemocracia, então essas ameaças também são um questionamento ao papel dessa comissão na Assembleia", pontuou.

"Me sinto preparada para estar no lugar que estou. Acredito na orientação espiritual que tenho. Meus ancestrais me prepararam", declarou Andréia. A parlamentar vai requisitar segurança pessoal a ser garantida pela polícia militar. "Toda ameaça tem um fundo de verdade", disse.

As ameaças na avaliação da parlamentar são uma tentativa de impedir o trabalho da comissão. "Levamos as denúncias à delegacia e a própria Assembleia também registrou boletim de ocorrência". A deputada afirma ter recebido mais de 35 mensagens entre xingamentos e ameaças.

A deputada argumentou estar apenas cumprindo o que é um dever. "O papel da comissão de direitos humanos sempre foi o de acompanhar e fiscalizar todo procedimento, seja da polícia ou qualquer instituição. E é protocolar que todo procedimento que gera mortes seja investigado", explicou.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar de Minas Gerais, mas ainda não obteve resposta.

A operação que resultou nos 26 mortos em Varginha foi feita por policiais militares do estado, junto com a Polícia Rodoviária Federal.

O grupo, de acordo com as autoridades, se preparava para realizar roubos a bancos da cidade, em uma modalidade criminosa conhecida como "novo cangaço".

Segundo os policiais, os suspeitos estavam em dois sítios localizados próximos a duas estradas opostas que dão acesso a Varginha.

Ao chegarem aos locais, segundo informações da PM, os agentes foram recebidos a tiros e, ao revidarem, mataram os suspeitos. Nenhum policial foi ferido ou morto no confronto. As investigações iniciais apontam que o alvo dos suspeitos seria uma agência do Banco do Brasil localizada no centro da cidade.

Nos sítios os policiais encontraram dez veículos, dez fuzis, três armas de grosso calibre e explosivos. A quantidade de carros e o armamento pesado levaram as autoridades a suspeitar se tratar de mais um ataque do que ficou conhecido como "novo cangaço".

Nessa modalidade, quadrilhas fortemente armadas invadem cidades de médio porte em carros e caminhonetes para roubar bancos e explodir agências. Ataques desse tipo já foram registrados em Uberaba e Araçatuba (SP), entre outros municípios.

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