Deputado bolsonarista de SP tem contrato com empresa de acusado por ataques virtuais

Guilherme Caetano
Deputado Douglas Garcia, do PSL de SP

SÃO PAULO — O deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) mantém contrato, desde abril de 2019, com uma empresa cujo dono foi processado por ataques virtuais a adversários políticos do parlamentar. O gabinete de Garcia já repassou R$ 55,3 mil de verba pública à empresa. A informação foi revelada pela "Folha de S.Paulo".

Depoimento: Moro relata mensagem de Bolsonaro: 'Quero apenas a PF do Rio'A Dataulfo Desenvolvimento Web e Gestão de Redes recebe mensalmente cerca de R$ 5 mil do gabinete de Douglas Garcia. A empresa é especializada em serviços de tecnologia da informação e foi fundada no mesmo mês que começou a receber dinheiro do parlamentar.Seu dono é Carlos Alberto Rigat, colaborador do site bolsonarista Jacaré de Tanga. Ele também tem passagem pelo gabinete do deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP), quando o parlamentar ainda era filiado ao PSL de Jair Bolsonaro e não tinha rompido com o governo. Frota fez campanha conjunta a Garcia nas eleições de 2018, a chamada "dobradinha".Rigat foi processado em 2018 por Alexandre dos Santos, irmão de Renan dos Santos, coordenador nacional do MBL, grupo de direita expoente dos protestos de rua pelo impeachment de Dilma Rousseff, por promover ataques pessoais nas redes sociais. Alexandre pediu à Justiça a remoção da página do Jacaré de Tanga no Facebook e indenização por danos morais.O MBL é tido como adversário político pelo grupo Movimento Conservador, fundado por Douglas Garcia. Além das provocações virtuais constantes, integrantes dos dois grupos já tiveram um bate-boca em uma das manifestações a favor da reforma da Previdência, em São Paulo, em 2019.Carlos Rigat também foi acusado de racismo pelo vereador Fernando Holiday (Patriota) em novembro de 2018, após gravar um vídeo fazendo comentários ofensivos ao parlamentar. A Justiça arquivou o caso, segundo a "Folha".“Na época da campanha do Holiday eu ofereci uma sala aqui para a gente fazer a senzala do Holiday aqui, né? Só que os donos da Casa Grande da rua da União (endereço da sede do MBL) ali, os donos do 'Fernandinho (Holiday)', não deixaram”, declarou Rigat no vídeo.Rigat é atuante no meio conservador. No ano passado, por exemplo, ele participou de uma conversa virtual com outros bolsonaristas para falar sobre "guerra cultural e nova política". Faziam parte da conversa integrantes do mesmo grupo de Garcia, então chamado Direita São Paulo, e bolsonaristas como o ativista Paulo Kogos, que tem participado dos protestos recentes contra o isolamento social.Em suas redes sociais, o deputado Douglas Garcia chamou a informação de "mentira" e disse que não paga ninguém para promover ataques virtuais. "Eu não tenho nada a ver se o proprietário da empresa teve uma briga com o MBL antes da contratação dessa empresa", afirmou ele em vídeo.Em dezembro passado, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) prestou depoimento na CPMI das Fake News, na Câmara, e ligou o gabinete de Douglas Garcia à maquina de ataques virtuais mantida por apoiadores de Jair Bolsonaro, o chamado "gabinete do ódio", escritório que funcionaria em pleno Palácio do Planalto e de onde partiriam orientações para ataques contra desafetos do presidente.Dias depois do depoimento, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Edson Salomão, chefe de gabinete de Garcia e um dos líderes do Movimento Conservador. A ação fazia parte do "inquérito das fake news", aberto em 14 de março de 2019 pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para apurar notícias falsas e ataques contra a Corte e seus integrantes.

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