Deputado diz que Bolsonaro vai entrar na campanha de Crivella e declarar apoio em live

Fernanda Alves e Luiz Ernesto Magalhães
·4 minuto de leitura
O prefeito Marcelo Crivella visita a Vila Olímpica Oscar Schmidt ,em Santa Cruz
O prefeito Marcelo Crivella visita a Vila Olímpica Oscar Schmidt ,em Santa Cruz

O deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) afirmou, nesta quarta-feira, que Jair Bolsonaro vai entrar oficialmente na campanha à reeleição do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos). O anúncio foi feito após uma reunião do parlamentar com o presidente no Palácio da Alvorada, em Brasília, divulgada pelo deputado em suas redes sociais.

De acordo com parlamentar, o comunicado oficial do apoio será feito pelo presidente durante sua live semanal, nesta quinta-feira. Bolsonaro também vai gravar um vídeo para ser transmitido no programa eleitoral de Crivella, diz o deputado.

— O presidente entendeu que os dois lados já estão definidos, Eduardo com Doria e Maia (Rodrigo), e a Martha com o Ciro, e que ele precisa entrar nesse primeiro turno, já. Ele vai, nesta quinta-feira, falar na live dele sobre o acordo e vai fazer um vídeo para a televisão e para ser viralizado nas redes sociais — garante o parlamentar.

À tarde, em uma transmissão com Otoni pelas redes sociais, Crivella comentou o apoio do presidente.

— Que notícia boa ! Glória a Deus. O presidente tocou a trombeta e marcha à frente da batalha para nos conduzir à vitória. A vitória do Crivella no Rio é o primeiro passo para a vitória dele em 2022 (numa candidatura à reeleição) Por mais amizade, carinho, repeito que eu tenha pelo presidente, eu sei das implicações. Ele depende do voto de deputado. Minha eleição não é só o Crivella, é uma cabeça de ponte. Estamos aqui lutando contra a ideologia de gênero nas escolas e por nossas crianças — disse o prefeito.

O GLOBO mostrou que a campanha de Crivella já aguardava uma declaração de apoio do presidente até o início de novembro e que o prefeito estava trabalhando exatamente para ser citado nominalmente por Bolsonaro numa das lives semanais.

A decisão acontece após pesquisas mostrarem que a ex-delegada Matha Rocha (PDT) ameaça a ida de Crivella para o segundo turno, já que a candidata do PDT, de acordo com o Datafolha, oscilou para cima no limite da margem de erro, de três pontos percentuais, e agora, com 13%, está empatada numericamente com o atual prefeito.

Segundo Otoni, Bolsonaro estava reticente em declarar apoio a Crivella por conta de posicionamentos dele contrários ao do presidente.

— Ele estava reticente em entrar no projeto já nesse primeiro turno por conta de alguns posicionamentos do Crivella fora das orientações dele, mas eu acabei o convencendo de que o Crivella vai seguir todos os alinhamentos seguindo o presidente — explicou.

Até setembro, Otoni de Paula era um crítico ferrenho do atual prefeito e chegou a afirmar que votaria em qualquer candidato, menos Crivella. A mudança de postura aconteceu, segundo ele, após uma ‘orientação expressa’ do presidente Jair Bolsonaro. Desde então, o parlamentar já participou de duas lives em apio à candidatura.

Hoje, em suas redes sociais, o deputado postou uma foto ao lado do presidente, com a legenda:

'Acabei de sair de um delicioso café da manhã com o meu líder, nosso capitão e PR @jairbolsonaro. Tratamos sobre sua participação na campanha do prefeito @MCrivella já agora no primeiro turno. Bolsonaro é Crivella no 1° turno'.

Durante a live, mais uma vez, o tom foi de nacionalização da campanha com domínio da pauta de costumes.

— Nesse momento a guerra política no Rio de Janeiro virou uma guerra ideológica. Uma vitória de um dois dois seria um caos para a cidade. O que explicamos ao presidente, Crivella, é que a sua candidatura está no meio de duas candidaturas distantes de qualquer interesse do presidente da República que são os mais nobres do país. Rodrigo Maia (mesmo partido de Paes) não ganha mais eleição nem para síndico do Rio de Janeiro. Do outro lado tem a Martha Rocha. O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que, num possível governo de Martha, Ciro iria para a Casa Civil por um ano e seria uma forma de cravar uma estava no coração do presidente — disse Otoni, citando uma informação divulgada na imprensa, mas negada pela candidata e pelo partido.

Otoni disse ainda que uma eventual vitória de Martha Rocha ou de Paes representaria também uma vitória da ideologia de gênero, tema caro para Bolsonaro e Crivella, que têm viés conservador. Ao criticar Eduardo Paes, Otoni lembrou que a cidade do Rio foi eleita ‘’capital do turismo gay mundial’’ na gestão do ex-prefeito. O título foi concedido em 2009, primeiro ano da primeira gestão do ex-prefeito

— O que seria turismo gay. Eu não conheço turismo de negro, branco. Eu conheço turismo religioso. Isso que falo não é ser contra gays. O movimento LGBT é político — disse Otoni.

Por sua vez, Crivella observou que com a ajuda de Deus desfez uma trama articulada por Paes antes de deixar a prefeitura, para que enfrentasse dificuldades financeiras, atrasasse salários, não pagasse servidores por quatro anos e depois o ex-prefeito retornar ao cargo, ‘’ como ‘’salvador da pátria’’.

— Nós rezamos o Pai Nosso com a cabeça para baixo. O Paes acredita apenas em meu reino, meu nome, minha vontade — disse o prefeito.