Deputado que quebrou placa de Marielle xinga indígenas em ato no RJ: "São tudo prostitutas"

·4 minuto de leitura
Brazilian deputy of the Rio de Janeiro's state for the Social Liberal Party (PSL), Rodrigo Amorim, speaks during a session of the state's legislative House in Rio de Janeiro, Brazil, on February 13, 2019. (Photo by Mauro Pimentel / AFP)        (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Rodrigo Amorim (PSL) é o homem que aparece ao lado do também deputado bolsonarista Daniel Silveira quebrando uma placa da ex-vereadora Marielle Franco (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
  • O deputado bolsonarista Rodrigo Amorim (PSL-RJ) xingou indígenas que protestavam contra o PL 490, em frente à Alerj, na quarta-feira (30), e começou um bate-boca

  • Segundo o relato, os indígenas estavam sentados na entrada principal a assembleia quando Amorim passou e os ofendeu.

  • Amorim é o homem que aparece ao lado do também deputado bolsonarista Daniel Silveira quebrando uma placa da ex-vereadora Marielle Franco, do PSOL

O deputado bolsonarista Rodrigo Amorim (PSL-RJ) xingou indígenas que protestavam contra o Projeto de Lei 490, que dificulta o processo de demarcação de terras, em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na quarta-feira (30). Ele começou um bate-boca.

A indígena Suzana Para'í, da Aldeia Mata Verde Bonita, localizada em Maricá (RJ), afirmou ao jornal Brasil de Fato que o parlamentar ofendeu o grupo, dizendo que as mulheres que ali estavam eram "tudo prostituta".

Leia também:

"A gente estava ali, cantando, e ele chegou filmando com a segurança dele. E disse que estávamos vestidos de índios, mas que não éramos índios, que era tudo prostituta", disse Suzana.

Segundo o relato, os indígenas estavam sentados na entrada principal a assembleia quando Amorim passou e os ofendeu. 

Nas redes sociais, circulam imagens do momento. No entanto, nos vídeos só é possível ver o deputado subindo as escadas fazendo sinais de desaprovação. Os indígenas gritam "Fora Bolsonaro". Não dá para ouvir o que o deputado diz. 

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

Amorim é o homem que aparece ao lado do também deputado bolsonarista Daniel Silveira quebrando uma placa da ex-vereadora Marielle Franco, do PSOL. Marielle foi assassinada brutalmente em 2018. 

Daniel Silveira, deputado federal que já havia sido preso em fevereiro, foi detido novamente no último dia 24 por desrespeitar o uso de tornozeleira eletrônica 36 vezes. O deputado foi preso a primeira vez por ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpria prisão domiciliar desde março.

Rodrigo Amorim e Daniel Silveira depredaram placa em homenagem a vereadora assassinada do PSOL. Foto: Reprodução/Instagram
Rodrigo Amorim e Daniel Silveira depredaram placa em homenagem a vereadora assassinada do PSOL. Foto: Reprodução/Instagram

Deputado chamou aldeia de "lixo"

Não é a primeira vez que o deputado bolsonarista se envolve em uma polêmica com indígenas. Segundo a a presidente da Associação Indígena Aldeia Maracanã e membro do Conselho Estadual de Direitos Indígenas, Marize Vieira de Oliveira Pará Rete, Amorim teria chamado a aldeia de "lixo urbano", há dois anos.

"Dois anos atrás, ele esteve na Aldeia Maracanã e disse que aquilo lá era lixo urbano, que quem gosta de índio que fosse para a Bolívia. O Brasil inteiro é terra indígena, qual é o local nesse país que não tem nome tupi-guarani?", indagou ela, que também presenciou o bate-boca de quarta-feira (30).

Ao Brasil de Fato, ela disse que vai entrar com representação no Conselho Ética e Decoro Parlamentar da Alerj contra Amorim. Segundo ela, o deputado do PSL foi "preconceituoso, discriminador e racista" e considera, de forma errada, que é preciso "estar vestido como índio para ser índio". 

"Meu povo guarani, o povo que está aqui hoje, é aldeado, tanto da Costa Verde quanto de Maricá. Ele dizer isso é racismo e discriminação, ele não tem o direito de estar dentro de uma Assembleia Legislativa porque ele não representa nada do que se fala em relação à lei, à justiça e aos direitos. Ele é preconceituoso, discriminador e racista".

Indigenous people of different ethnicities protest against a controversial land reform bill, outside the Supreme Court in Brasilia on June 30, 2021. - The Supreme Court reviews a controversial bill that would change the regulations establishing protected indigenous lands. Indigenous rights groups warn the bill would pave the way for things such as mining, hydroelectric dams and road construction on previously protected reserves. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Além disso, o texto também proíbe a ampliação de terras que já foram demarcadas previamente, independentemente dos critérios e da reivindicação por parte dos povos indígenas interessados (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O que prevê o projeto de lei 490/2007?

De autoria do deputado Homero Pereira (PR/MT), o texto do PL 490/2007 determina que são terras indígenas aquelas que estavam ocupadas pelos povos tradicionais em 5 de outubro de 1988. Em outras palavras, é necessária a comprovação da posse da terra no dia da promulgação da Constituição Federal.

A proposta altera a atual legislação, que não exige a comprovação de posso em data específica. A demarcação exige apenas a abertura de um processo administrativo dentro da Fundação Nacional do Índio (Funai), com criação de um relatório de identificação e delimitação feito por uma equipe multidisciplinar, que inclui um antropólogo. O processo costuma demorar anos.

Além disso, o texto também proíbe a ampliação de terras que já foram demarcadas previamente, independentemente dos critérios e da reivindicação por parte dos povos indígenas interessados.

Há, ainda, um ponto bastante criticado por organizações não-governamentais a respeito de um trecho do projeto que abriria espaço para uma flexibilização do contato com povos isolados, o que poderia causar um perigo social e de saúde às comunidades.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos