Deputados da comissão especial avaliam que Braga Netto 'derrubou de vez' o voto impresso

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BRASÍLIA - A incursão dos militares no debate sobre a adoção do voto impresso no país só piorou a situação do governo no Congresso Nacional. Na comissão especial que irá votar essa emenda constitucional o clima na oposição é de maior indignação. O Palácio do Planalto não tem voto suficiente para aprovar o relatório de Filipe Barros (PSL-PR), a favor do voto auditável. Hoje, há uma maioria de 22 votos contrários a seu texto. Os outros 12 titulares do colegiado apoiam a PEC.

A manifestação do ministro da Defesa, general Braga Netto, animou a turma do contra. O militar, em nota divulgada ontem, afirmou que a discussão sobre o voto impresso está na sociedade e é legítimo debatê-lo. A oposição enxerga na nota divulgada por Braga Netto como uma interferência indevida e um apoio do ministro à tese de Jair Bolsonaro de que, sem voto impresso, as eleições de 2022 será uma fraude.

— Repercutiu muito mal a desastrada declaração (de Braga Netto). Antes dela, a situação já era difícil para o governo. Agora, piorou consideravelmente — afirmou o deputado Fábio Trad (PSD-MS), titular da comissão.

O presidente do Solidariedade, Paulinho Pereira (SP), que é deputado e suplente na comissão, também criticou o posicionamento do ministro da Defesa. O parlamentar é contra a adoção do voto impresso e integra o grupo de 11 dirigentes partidários que se manifestaram conjuntamente contrários à PEC que tramita na Câmara.

— Acho que o general Braga Netto nos ajudou bastante. Na medida que ele fala contra nós, acaba é nos ajudando. Até havia, por parte da sociedade, dúvidas sobre a razão de não ter o voto impresso. Tínhamos que explicar, porque vai gerar compra de voto e tumultuar a eleição. Mas, agora, com a manifestação do general, o entendimento é outro. Com essa ingerência do governo, em especial dos militares, muita gente se posiciona contra — afirmou Pereira.

O presidente Bolsonaro, que já declarou estar pouco otimista com a aprovação da proposta, conversou ontem com o relator. Filipe Barros disse ao GLOBO que fez um balanço geral com o presidente, de cada ponto do texto à perspectiva da votação. Barros disse que, com a chegada de Ciro Nogueira ao governo, está criado um clima de otimismo. Nogueira, que preside o Progressistas, é contra o voto impresso.

— Não tem sentido fazer uma reforma ministerial se não for para ajudar a aprovar projetos do governo e esse é um dos mais importantes. Estou animado com a presença do Ciro Nogueira no governo para que essas pautas avancem — disse Filipe Barros.

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