Deputados dos EUA acionam Biden e pedem investigação do FBI sobre ataques em Brasília

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

WASHINGTON, ESTADOS UNIDOS (FOLHAPRESS) - Deputados americanos acionaram a Casa Branca para revogar o visto diplomático do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro (PL), que está nos EUA desde o fim do ano passado, e pediram que o Departamento de Justiça responsabilize "quaisquer atores baseados na Flórida que possam ter financiado ou apoiado os crimes violentos de 8 de janeiro", quando golpistas invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

Os deputados pedem ainda que o FBI, a Polícia federal americana, "investigue quaisquer ações que tenham sido tomadas em solo dos Estados Unidos para organizar esse ataque ao governo brasileiro."

A carta dos congressistas americanos foi enviada na quarta-feira (11) ao presidente Joe Biden.

Na segunda-feira (9), o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, indicou que Bolsonaro não pode permanecer nos EUA com o visto de chefe de Estado que usou para entrar no país. Se não procurar o governo americano até o final de janeiro para mudar a categoria do visto que o autoriza a permanecer em solo americano -como um de turista-, ele ficará em situação irregular e pode até ser deportado.

Também na quarta, um grupo de 32 legisladores democratas dos EUA e 38 brasileiros de diversos partidos divulgou uma declaração conjunta acusando o ex-presidente Donald Trump e seus ex-assessores Steve Bannon e Jason Miller de "encorajarem [o ex-presidente Jair] Bolsonaro a contestar os resultados das eleições no Brasil" e pedindo responsabilização pelos ataques à democracia.

Os legisladores apontam semelhanças entre os ataques ao Capitólio, em Washington, em 6 de janeiro de 2021, e os ao Congresso, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Palácio do Planalto, em Brasília, no último domingo (8). No texto, afirmam que "agitadores de extrema direita no Brasil e nos Estados Unidos" estão coordenando esforços para ameaçar a democracia.

A declaração aumenta a pressão sobre o democrata, em meio às discussões nos EUA sobre o status de Bolsonaro no país -ele está na Flórida desde o dia 30 de dezembro. Congressistas democratas querem que a Casa Branca deporte Bolsonaro. Joaquín Castro, que representa a minoria democrata no Comitê de Hemisfério Ocidental, disse à CNN americana que "os EUA não deveriam ser um refúgio para o autoritário que inspirou terrorismo doméstico no Brasil". Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC, parte da ala mais à esquerda dos democratas, postou no Twitter: "Os EUA precisam deixar de dar guarida a Bolsonaro"