Deputados europeus enviam carta a Bolsonaro em defesa dos povos indígenas do Brasil

·2 minuto de leitura

BRASÍLIA — Um grupo de 50 deputados do Parlamento Europeu enviou uma carta ao presidente Jair Bolsonaro, demonstrando preocupação com o aumento da violência contra os povos indígenas. O documento, antecipado pelo jornal "Folha de São Paulo" e obtido pelo GLOBO, afirma que a agenda política de Bolsonaro ameaça a floresta amazônica e os direitos dos indígenas no Brasil.

Na carta, enviada na última quinta-feira, os eurodeputados destacam que, sob a liderança do presidente brasileiro, o desmatamento da Amazônia e o roubo de terras indígenas atingiram recordes. Só em 2019, as invasões de territórios indígenas aumentaram 135%, enquanto o desmatamento da Amazônia aumentou 85%, de que Bolsonaro assumiu a presidência.

"Cientistas alertam que estamos nos aproximando rapidamente do “ponto de inflexão” da Amazônia, quando a floresta tropical não produzirá mais chuva suficiente para se sustentar. Em vez disso, a Amazônia entrará em um ciclo de degradação que lançará bilhões de toneladas de carbono em nossa atmosfera", diz um trecho do documento.

Para os parlamentares europeus, Bolsonaro vai contra todos os alertas e avança com planos e políticas que acabarão com várias medidas de proteção aos direitos dos povos. Eles citam o projeto de lei 490, abrirá terras indígenas para mineração e para o agronegócio de grande porte, impedindo novas demarcações territoriais para essas comunidades. Também mencionam o projeto de lei 2633, que trata da regularização fundiária e, segundo eles, "permitirá o roubo privado de terras públicas".

"Enquanto isso, planos para megaprojetos como a ferrovia Ferrogrão deslocarão comunidades indígenas a serviço de lucros corporativos multinacionais", afirma a carta, em uma referência à ferrovia que ligará os estados do Mato Grosso ao Pará e está sendo contestada na Justiça.

Os eurodeputados ressaltam que, apesar da atual conjuntura, comunidades que estão na linha de frente estão reagindo. Lembram, na carta, que, no dia 23 de agosto, a Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (APIB) liderou uma marcha nacional a Brasília, a Luta Pela Vida, acompanhada por uma delegação da Progressive International, sindicalistas e representantes indígenas do ao redor do mundo. Foi a maior manifestação indígena já realizada no Brasil.

Os signatários dizem que apoiam o processo da Apib contra Bolsonaro e se solidarizam com a entidade. Afirmam que aguardam uma resposta de Bolsonaro e fazem um apelo para que o governo brasileiro pare com suas "políticas anti-indígenas e anti-ambientais", que causam a destruição da Amazônia.

"Esta mobilização segue o processo da Apib contra você, presidente Jair Bolsonaro, no Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, denunciando sua 'política anti-indígena explícita, sistemática e intencional' e solicitando que o TPI investigue por genocídio e ecocídio".

De acordo com a carta, proteger a floresta amazônica e os direitos dos povos indígenas é uma questão global. A região desempenha um papel fundamental na saúde geral do planeta e sua proteção é uma emergência no combate às mudanças climáticas.

"Proteger a floresta amazônica e seu povo significa proteger o futuro de todos na Terra".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos