Deputados franceses se recusam a abolir a tourada em análise inicial

A proposta de abolir a tourada em toda a França, que será votada em 24 de novembro, sofreu um revés nesta quarta-feira (16) no início de sua jornada parlamentar, além da rejeição avançada do governo em nome da "tradição cultural".

Os deputados da Comissão de Direito rejeitaram a proposta do relator, o legislador antiespecista Aymeric Caron, que os pediu em vão para se manifestarem contra essa "barbárie". A tourada é "um ato cruel, indigno de nosso tempo", disse ele.

A França não escapa ao debate latente no resto dos países com touradas: Espanha, Portugal, Peru, México, Colômbia, Equador e Venezuela. Em junho, um juiz mexicano as suspendeu por tempo indeterminado na Plaza México, a maior do mundo.

A iniciativa de Caron não é a primeira que visa proibir as touradas na França, mas nenhuma das apresentadas desde 2004 prosperou, sem um debate parlamentar ou votação sobre elas.

O seu objetivo é modificar o artigo 521-1 do Código Penal, que pune os maus-tratos a animais com pena de prisão até 5 anos e multa de 75.000 euros (cerca de 78.000 dólares), mas que permite as touradas em caso de "uma tradição local ininterrupta".

A isenção aplica-se no terço sul da França, seja no sudoeste perto da Espanha em torno das praças de Bayonne, Dax, Mont-de-Marsan e Vic-Fesenzac, ou nas margens do Mediterrâneo, em torno de Nimes, Arles ou Beziers.

Caron, que considera a tourada uma tradição "espanhola" importada em 1853, busca suprimir essa isenção, mas os deputados esvaziaram o único artigo de seu texto, ao apoiar as emendas apresentadas pela direita e extrema-direita.

"Vocês acabam de enviar um sinal terrível aos franceses, dizendo que não se importam com o que querem", lamentou o porta-voz da proposta, para quem o resultado da votação é obra de grupos de pressão pró-tourada.

tjc/jvb/aa