Deputados pedem investigação de agência que fez campanha pró-vacina com homem usando máscara de cabeça para baixo

Gabriel Sabóia
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RIO — A bancada do PSOL na Alerj apresentou hoje à tarde ao Ministério Público do Rio uma representação que pede a abertura de investigação sobre a contratação da agência Propeg, responsável pela campanha "O Rio abraça a vacina. O Rio abraça a vida", na qual em um dos anúncios, um homem aparece usando uma máscara de cabeça para baixo. A empresa foi contratada pelo Governo por R$ 13 milhões para fazer o serviço.

O texto da representação ressalta que "há dúvidas acerca da lisura no processo de contratação da Propeg". O documento também ressalta que "todo oprocesso de seleção referente à campanha se deu em período de tempo suficientemente exíguo para que, das cinco empresas habilitadas para realizar a propaganda do Estado, apenas uma, a Propeg, concordasse em realizar o serviço".

As demais empresas - Artplan, Agência 3, Binder e Nacional - desistiram da campanha por causa do pouco tempo para a realização do projeto. O processo de seleção foi iniciado no dia 21 de janeiro e finalizado cinco dias depois. A informação sobre os valores e prazos do contrato foi publicada primeiro pelo jornalista Ruben Berta.

Além dos gastos e suspeitas que pairam acerca do processo licitatório, o documento também chama atenção para o "desserviço" prestado por meio da imagem de um homem que usava a máscara de cabeça para baixo.

"É inadmissível que, após treze meses de pandemia, e em meio ao número colossal de mais de 355.000 vítimas fatais pela covid-19 em todo o país e cerca de 40.000 somente no estado do Rio de Janeiro, o governo estadual promova, com dinheiro público, propaganda capaz de induzir ao erro quanto ao uso correto de item de proteção individual fundamental, que acaba, potencialmente, por colocar em risco a saúde dos cidadãos fluminenses", conclui.

A gafe foi apontada no perfil Contagem Coronavírus - Brasil no Twitter na noite do último sábado. Desde então, internautas ironizam a situação com comentários do tipo "pra ver a situação... Um ano de atraso e desse jeito", "a cara do governo do Rio", "que vergonha".

Jornais do exterior, como o francês Le Monde e o inglês The Guardian, também abordaram o tema e ironizaram o equívoco.