Derretimento do permafrost no Ártico é uma ameaça ao mundo, alertam cientistas

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O aumento da temperatura no Ártico tem acelerado o derretimento do permafrost, que abriga bilhões de toneladas de gases de efeito estufa (GEE), ameaçando cidades construídas sobre ele. Além disso, o processo pode liberar grandes quantidades de metano e CO2 e assim acelerar ainda mais o aquecimento global. Ou seja: o mundo todo está em risco por conta disso.

O permafrost — ou pergelissolo — é um solo encontrado no Ártico e rico em matéria orgânica, permanentemente congelado e abrigando grandes quantidades de GEE. À medida que as temperaturas do hemisfério Norte aumentam, o perigo potencial também cresce.

O permafrost cobre 30 milhões de quilômetros quadrados do Ártico — quase metade de sua área total (Imagem: Reprodução/Pixabay)
O permafrost cobre 30 milhões de quilômetros quadrados do Ártico — quase metade de sua área total (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Um estudo liderado pela University of Oulu estimou que quase 70% das estradas, oleodutos e cidades — a maioria na Rússia — sobre o solo congelado estão vulneráveis a graves danos até a metade deste século.

Já outra pesquisa, conduzida pela California Institute of Technology (Caltech), calculou que o metano e o CO2 guardados há milhares de anos no permafrost podem intensificar os efeitos do aquecimento global, aumentando a temperatura global.

O permafrost não apenas cobre um quarto da porção terrestre do hemisfério Norte, como também abriga o dobro da quantidade de carbono que existe hoje na atmosfera e o triplo do que foi emitido pela atividade humana desde 1850. Em meio século, o Ártico aqueceu até três vezes mais rápido do que o restante do mundo.

Derretimento do permafrost

O Ártico tem experimentado anomalias climáticas, como invernos com temperaturas de até 40 °C acima do normal. Em média, essa camada aqueceu 0,4°C entre 2017 e 2016 e as consequências disso são notáveis — até 2100, 4 milhões de quilômetros quadrados dela serão perdidos.

Dinâmica do derretimento do permafrost e a liberação de metano e CO2 (Imagem: Reprodução/Kimberley Miner et al.)
Dinâmica do derretimento do permafrost e a liberação de metano e CO2 (Imagem: Reprodução/Kimberley Miner et al.)

Além das temperaturas mais altas, outro fator ameaça essa região: os incêndios florestais. Segundo Kimberley Miner, cientista da Caltech, a tendência é que esses incêndios aumentem de 130% a 350% até a metade do século, à medida que o solo congelado derrete.

O permafrost abriga 120.000 edifícios, 40.000 km de estradas e 9.600 km de dutos e, conforme este solo se torna mais instável, toda a estrutura acima do solo está em perigo. A Rússia é a mais ameaçada: 80% dos edifícios da cidade Vorkuta possuem deformações relacionadas a este processo.

O colapso do permafrost é chamado termocarst, mas os pesquisadores alertaram que essa dinâmica geralmente fica de fora das projeções sobre o sistema terrestre. Dessa maneira, não há como estimar a verdadeira dimensão do seu impacto sobre o aumento da temperatura global.

O Ártico é a região do planeta que mais tem sofrido com o aquecimento global (Imagem: Reprodução/Mosaic Expedition)
O Ártico é a região do planeta que mais tem sofrido com o aquecimento global (Imagem: Reprodução/Mosaic Expedition)

Por um lado, as mudanças climáticas podem tornar o Ártico um lugar verde e úmido e, segundo os autores, as plantas compensariam parte do CO2 liberado. Por outro, a região pode se tornar seca — o que seria o pior dos cenários —, onde as emissões de GEE alimentariam os incêndios florestais.

As duas pesquisas foram publicadas na revista Nature.

Fonte: Canaltech

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