Cinco desafios que o próximo prefeito de São Paulo deve enfrentar na área da educação

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Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
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É um consenso entre os especialistas do planeta que a educação é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento de uma população. De acordo com o governo de São Paulo, mais de quatro milhões de crianças estão matriculadas nos ensinos fundamental ou médio, e mais de 250 mil professores atuam em salas de aulas por todo o estado.

Assim como mais de 5.500 municípios, a capital paulista viverá eleições municipais no próximo domingo (15). O próximo prefeito enfrentará diversos obstáculos para uma melhora do nível educacional. O Yahoo! listou as propostas dos principais candidatos à prefeitura de SP que se enfrentam neste final de semana.

Abaixo, elencamos alguns dos principais desafios que o ganhador do pleito deve enfrentar ao assumir a maior capital da América Latina.

1. Redução de verbas

Um levantamento realizado pelo movimento Todos pela Educação juntamente com o Instituto Unibanco, em parceria com Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), aponta que as redes estaduais e municipais devem perder entre 13 e 40 bilhões em tributos vinculados à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) neste ano. A redução tem a ver com a pandemia do novo coronavírus que reduziu atividade econômica e arrecadação de impostos.

Na prática, isso poderia significar uma redução média no investimento anual por estudante que pode ficar entre R$ 345 (melhor cenário) e R$ 1.038 (pior cenário).

2. Aumento da demanda na rede pública

Com a crise econômica agravada pela pandemia, muitas famílias foram forçadas a readequar seu orçamento. Isso, em muitos momentos, pode incluir uma transferência dos filhos da rede particular para a rede pública. Ao menos 26 mil estudantes percorrerão esse caminho de acordo com a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo.

Segundo a pasta, 14 mil alunos de todo o estado solicitaram uma vaga para a rede estadual de janeiro a agosto. Outros 12,6 mil estudantes da capital pediram transferência para a rede municipal, de acordo com a Prefeitura.

Em qualquer uma das redes (estadual ou municipal), é obrigação legal garantir vagas para todas as crianças com mais de quatro anos.

3. Adaptação das escolas aos protocolos sanitários

A missão de um retorno seguro às salas de aula é um tema debatido em todo o mundo e visto como extremamente complexo. Diante da falta de verba e do aumento da demanda, a situação se torna ainda mais sensível.

No início de novembro, escolas municipais, estaduais e privadas foram liberadas para retomar as aulas regulares presenciais, mas apenas no ensino médio e de forma facultativa. Na educação infantil e no ensino fundamental, só estão liberadas atividades extracurriculares. Também não há definição sobre o novo cronograma do ano letivo.

O retorno para o ensino médio se deu após a divulgação do resultado da primeira fase do censo sorológico que apontou que mais de 13% dos testados (alunos, professores e funcionários) tiveram contato com o novo coronavírus. Crianças e adolescentes formaram a maioria entre os infectados.

4. Continuação do Ensino à Distância

Foto: Miguel Schincariol/Getty Images
Foto: Miguel Schincariol/Getty Images

Com a pandemia, o Ensino à Distância (EAD) despontou como a "salvação" para a não paralisação completa dos estudantes pelo mundo. Contudo, durante toda a crise sanitária, os estudantes das redes públicas foram os mais prejudicados.

De acordo com pesquisa a TIC Educação, divulgada em junho, apenas 14% das escolas públicas tinham estrutura de EAD no ano passado. O levantamento mostrou também que 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não têm computador ou tablet em casa, o que deixa claro o desafio para manter essa modalidade de ensino atuante enquanto não há uma completa imunização da população.

5. Evasão escolar

Diante da incerteza sobre um retorno normalizado das aulas e com o agravamento da crise econômica no país, um dos grandes desafios é frear a evasão escolar. Em julho deste ano, o IBGE apontou que das 50 milhões de pessoas com idades entre 14 e 29 anos, dez milhões (20%) não terminaram alguma das etapas da educação básica. O motivo principal para o índice, de acordo com a pesquisa, é a "necessidade de trabalhar".

Em setembro deste ano, por exemplo, o governo paulista já anunciou que enviaria mais de 1,5 milhão de mensagens por SMS para pais e responsáveis dos alunos da rede estadual, exatamente com o objetivo de estabelecer um acompanhamento mais próximo e tentar conter o avanço da evasão quando as aulas presenciais forem totalmente retomadas.