Desaparecido, suspeito de matar e carbonizar família se declarava para os filhos nas redes: 'São minha vida'

Um crime violento e ainda cercado de mistério, que envolve a morte de pelo menos seis pessoas da mesma família, incluindo três crianças, tem mobilizado investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal desde o último dia 14 de janeiro. Após o depoimento de um homem preso por indícios de participação no crime, os dois patriarcas — Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos, e o filho Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, de 30 —, antes também dados apenas como desaparecidos, acabaram se tornando os principais suspeitos de terem arquitetado os assassinatos contra os próprios parentes, apesar de os policiais ainda não descartarem que eles possam ter sido vítimas. Nas redes sociais, é possível observar um pouco do comportamento dos envolvidos na trama.

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Thiago demonstrava carinho por seus filhos, dois meninos, de 7 e 6 anos, e uma menina, de 6. Ambos foram mortos e tiveram os corpos carbonizados. "São minha vida", escreveu na foto ao lado deles, que ilustra um de seus perfis.

Em imagem de novembro de 2020, que ilustra a capa de uma de suas páginas, Thiago Gabriel posa ao lado dos três filhos, segurando um bolo de aniversário para um deles, aparentando carinho. "Essa foto ficou linda, amor", reagiu, na ocasião, Elizamar da Silva, de 39 anos, sua esposa e mãe das crianças, que também foi vítima do crime.

Elizamar, por sua vez, no penúltimo dia de 2022, publicou: "Mesmo que eu fosse a melhor pessoa do mundo, não teria sido o bastante, já que você não fazia questão que fosse", dando indício de um desgaste no relacionamento com Thiago. "Triste é você gostar muito de uma pessoa e descobrir que ela é falsa com você", compartilhou em outubro.

'Esses monstros acabaram com a nossa família'

Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos, pai de Thiago, também suspeito de ter encomendado o crime e igualmente desaparecido, publicava em sua rede social fotos de vaquejada e de veículos e acessórios de construção. Seu perfil é ilustrado com uma frase: "Cuidado ao fazer muito pelo ingrato, no final ele diz que não te pediu nada!".

Ismael da Silva, irmão de Elizamar, fez uma publicação, demonstrando a tristeza e revolta pelas mortes da irmã e de quase todo o restante da família.

"Acabamos de chegar do IML e lá estão os 4 corpos da minha irmã, das crianças, e o principal suspeito é esse animal do pai das crianças, que está desaparecido. Tanto ele, como o pai dele. Quem tiver informação sobre esse lixo liga para a polícia", escreveu. "Esses monstros acabaram com a nossa família".

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'Não sei explicar a dor que estou sentindo'

A reportagem conversou com uma parente próxima de Renata, que seria o principal alvo da trama criminosa. Ela, que prefere não se identificar, reforçou o quanto toda a família está abalada com tudo o que aconteceu.

— Ela sempre me ajudou e apoiou muito em momentos mais difíceis que enfrentei. Meu amor por ela, pela filha e pelos netos será eterno. Não sei nem explicar a dor que estou sentindo agora, é impossível descrever.

O caso

Entre os dias 14 e 16 de janeiro, a Polícia Civil do DF recebeu denúncias que davam conta do desaparecimento de dez pessoas. Eram dois filhos de Elizamar, um rapaz de 24 anos, e uma jovem de 18, preocupados com o sumiço de toda a família. Foi quando investigadores descobriram que dois carros com corpos carbonizados foram encontrados em Cristalina (GO) e Unaí (MG) entre os dias 13 e 14. No veículo achado em Goiás, que pertencia a Elizamar, havia quatro mortos: a mãe e as três crianças. No outro automóvel, achado em Minas Gerais, de propriedade de Marcos Antônio, outras duas vítimas, que seriam Renata Juliene Belchior, de 52 anos, esposa de Marcos, e Gabriela Belchior de Oliveira, de 25 anos, sua filha.

Com ajuda de imagens de câmeras de segurança e o depoimento de testemunhas, os investigadores conseguiram prender preventivamente três homens apontados como os executores do crime: Horácio Carlos Ferreira Barbosa, de 49 anos, Gideon Batista de Menezes, de 55, e Fabrício Silva Canhedo, de 34.

Com os suspeitos foram encontrados R$ 10 mil, e a polícia acredita que eles tenham sido contratados por R$ 100 mil. Segundo os investigadores, os homens participaram dos assassinatos e tinham como objetivo roubar dinheiro das vítimas. Um deles afirmou em depoimento que o crime foi arquitetado por pai e filho: Marcos Antônio e Thiago Gabriel, com ajuda de uma amante de Marcos e a filha dela, ainda não identificadas. O alvo seria uma quantia de R$ 400 mil obtida por Renata, esposa dele, com a venda de uma casa. A polícia ainda investiga essa possibilidade, e tenta obter respostas, também, sobre o que teria motivado as mortes das famílias inteiras, incluindo as crianças.

O terceiro preso, Fabrício Canhedo, encontrado por último, na tarde de terça-feira (17), teria sido o responsável vigiar a família, mantida em refém num cativeiro em Planaltina.

— As investigações prosseguem no intuito de verificar a versão apresentada, isto é, se o pai das crianças e o avô estão vivos e se realmente foram coautores do hediondo crime — disse o delegado Ricardo Viana, delegado-chefe da 6ª DP, à frente do caso.

As seis vítimas são:

Elizamar Silva, de 39 anos (mulher de Thiago e nora de Marcos Antônio)

Gabriel, de 7 anos (filho de Thiago e neto de Marcos Antônio)

Rafael, de 6 anos (filho de Thiago e neto de Marcos Antônio)

Rafaela, de 6 anos (filha de Thiago e neta de Marcos Antônio)

Renata Juliene Belchior, de 52 anos (mãe de Thiago e mulher de Marcos Antônio)

Gabriela Belchior de Oliveira, de 25 anos (irmã de Thiago e filha de Marcos Antônio)

Os sete suspeitos de participarem do crime são:

Horácio Carlos Ferreira Barbosa, de 49 anos (foi preso)

Gideon Batista de Menezes, de 55 anos (foi preso)

Fabrício Silva Canhedo, de 34 anos (foi preso)

Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, de 30 anos (considerado desaparecido)

Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos (considerado desaparecido)

Amante de Marcos Antônio (nome não divulgado)

Filha da amante de Marcos Antônio (nome não divulgado)