Desaparecidos na Amazônia sumiram em área conhecida, diz Ailton Krenak

SÃO PAULO, SP, 09.06.2022 - FEIRA-LIVRO-SP - Uma das principais lideranças indígenas do país, o escritor Ailton Krenak comenta o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira durante sua participação na Feira do Livro, que acontece no estacionamento do estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital paulista, nesta quinta (9). (Foto: Ronny Santos/folhapress)
SÃO PAULO, SP, 09.06.2022 - FEIRA-LIVRO-SP - Uma das principais lideranças indígenas do país, o escritor Ailton Krenak comenta o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira durante sua participação na Feira do Livro, que acontece no estacionamento do estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital paulista, nesta quinta (9). (Foto: Ronny Santos/folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma das principais lideranças indígenas do país, o escritor Ailton Krenak comentou o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira durante sua participação na Feira do Livro, que acontece no Pacaembu nesta quinta.

"Dois cidadãos foram desaparecidos na Amazônia agora, vocês sabem?", disse ele, em meio a críticas à exploração predatória da região. "Foram abduzidos. E num trecho de floresta em que os nossos parentes são capazes de localizar até mesmo um mico."

Krenak palestrou sozinho, já que Yussef Campos, coautor de "Lugares de Origem" que dividiria a mesa com ele, recebeu um diagnóstico de Covid e não pôde participar do evento.

A fala sobre os desaparecimentos foi interrompida quando um grupo de adolescentes saiu aos gritos de uma visita ao Museu do Futebol, que fica a poucos metros do palco onde a mesa ocorria. Mas Krenak retomou a crítica ao garimpo mais tarde, quando que era a atenção de pessoas como a plateia do evento que protegia ativistas vocais como ele do "raio laser" dos exploradores ilegais das regiões florestais.

A mesa foi paralisada por um homem que se aproximou da mesa e bradou contra o escritor. Ele foi convidado a fazer uma pergunta ao microfone e questionou quais eram os possíveis benefícios da exploração do ouro. Krenak respondeu que não vê "nenhum motivo para tirar ouro de lugar nenhum a não ser para fazer a dentadura de alguém", ao que foi aplaudido de pé, sob gritos de "fora, Bolsonaro" e "fora, garimpo".

O líder indígena acrescentou depois uma máxima que deu o tom geral de sua fala —e de boa parte de sua produção literária recente. "Quando tiver acabado o último peixe e a última floresta as pessoas vão entender que a gente não come dinheiro."

Durante a palestra, Krenak fez ainda críticas à guerra na Europa —"estão querendo meter um míssil em Tchernóbil—, particularmente à intervenção dos Estados Unidos no continente em apoio à Ucrânia.

"Quanto o Biden deu da coleta que fez na igrejinha dele para a Europa? Deu bilhões para a guerra. Míssil a gente gasta igual fósforo. Estão despejando míssil ali como se fosse a contribuição dos Estados Unidos para a mudança do clima."

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