Desaparecimento de britânica reacende lembranças de assédio e ataques às mulheres

Pauline FROISSART
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Sarah Everard desapareceu em Londres em 3 de março

O desaparecimento e possível morte de uma londrina de 33 anos quando voltava para casa reacendeu as vozes das mulheres no Reino Unido, que compartilharam nas redes sociais centenas de experiências de assédio e ameaças feitas por homens.

Sarah Everard, uma jovem executiva de marketing, estava visitando alguns amigos em Clapham, no sul de Londres, e voltava para sua casa em Brixton, a cerca de 50 minutos a pé, quando desapareceu às 21h30 horas do dia 3 de março.

Para aumentar a comoção, um policial de uma unidade de elite da polícia de Londres encarregada de proteger as delegações diplomáticas foi preso como suspeito de assassinato e foram encontrados restos humanos, que estão sendo analisados.

O policial também é suspeito de atos de exibição sexual.

O primeiro-ministro Boris Johnson disse estar "chocado" com o desaparecimento de Everard, assim como o restante do país, onde o caso desencadeou uma onda de reações nas redes sociais de mulheres que se identificam com a jovem de 33 anos.

Uma pesquisa do YouGov para a ONU Mulheres Reino Unido revelou a magnitude do problema: 80% das mulheres de todas as idades declaram terem sido assediadas em lugares públicos, e 97% das mulheres de entre 18 e 24 anos declaram terem sofrido abuso sexual.

- "Não é sua culpa" -

A diretora-executiva da ONU Mulheres no Reino Unido, Claire Barnett, classificou a situação como uma autêntica "crise de direitos humanos".

"Continuar dizendo que este problema é muito difícil de resolver não é o suficiente. É preciso resolver agora", afirmou, citada pelo jornal The Guardian.

A chefe da polícia de Londres, Cressida Dick, destacou que "felizmente é muito raro que uma mulher seja sequestrada em nossas ruas".

"Mas compreendo perfeitamente que, apesar disso, as mulheres londrinas e o público em geral - especialmente quem mora na área onde Sarah desapareceu - estejam preocupados", reconheceu na quarta-feira, anunciando patrulhas adicionais na região.

O debate também gerou pedidos para deixar de culpar as mulheres e, em vez disso, educar os homens.

"A todas as mulheres que mandam mensagens de texto para os amigos avisando que chegaram bem em casa, que usam sapatos baixos à noite para conseguir correr se precisarem, que têm as chaves em mãos prontas para serem usadas, não é sua culpa", tuitou a diretora da ONG de direitos humanos Reprieve, Anna Yearley.

"Dizem para nós meninas: 'não vista algo muito curto' (...), 'não fique bêbada, você ficará muito vulnerável' (...). Quando vamos começar a dizer para os meninos e homens para não atacarem as mulheres?", perguntou a deputada trabalhista britânica Alex Davies-Jones no Twitter.

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