Desaparecimento de padre congolês intriga fiéis; veja o que se sabe

Padre congolês Quentin Venceslas Kolela, (Foto: Reprodução/Facebook Paróquia São Judas Tadeu, Tatuapé-SP)
Padre congolês Quentin Venceslas Kolela, (Foto: Reprodução/Facebook Paróquia São Judas Tadeu, Tatuapé-SP)

O padre congolês Quentin Venceslas Kolela, que atuava na Paróquia São Judas Tadeu, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, está desaparecido desde 3 de julho.

De acordo com colegas do sacerdote, ele afirmou que foi assediado e maltratado por membros da Congregação dos Agostinianos da Assunção (Assuncionistas), da qual faz parte. Esse preconceito, segundo os colegas, se deu principalmente porque Kolela é estrangeiro e não fala português, o que teria motivado sua saída.

Um líder da congregação registrou um boletim de ocorrência relatando o desaparecimento do sacerdote. Kolela, entretanto, avisou que deixaria o grupo, por meio de uma mensagem de texto. Ele inclusive levou a maior parte de seus pertences

Questionada pelo portal G1, a Congregação afirmou que "não tem nenhum conhecimento sobre tais fatos". Já a Arquidiocese de SP declarou que está em diálogo "para compreender o que, de fato, ocorreu com o Sacerdote"

Kolela foi visto pela última vez por volta das 11h15 de 3 de julho, quando deixou a casa paroquial da Paróquia São Judas Tadeu, no Tatuapé, para almoçar e não retornou, de acordo com uma postagem feita nas redes sociais da paróquia no dia 15 de julho.

No mesmo dia do sumiço, o padre Luís Gonzaga da Silva, Superior Geral dos Assuncionistas no Brasil, registrou o desaparecimento no Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira (22), Gonzaga fez outro boletim de ocorrência, mas desta vez na polícia de São Paulo.

Quentin Venceslas Kolela é natural de Brazzaville, na República do Congo, tem 40 anos e está desde 2020 no Brasil.

Sumiço Publicação nas redes sociais

A Paróquia São Judas Tadeu publicou nas redes sociais o comunicado do desaparecimento de Kolela no último dia 15. No texto, a igreja solicita que caso alguém tenha pistas do paradeiro do padre repasse as informações à Polícia Militar. Na mensagem, não há menção ao aviso feito por Kolela sobre deixar a congregação.

A postagem teve mais de 1,4 mil compartilhamentos e mais de 900 comentários no Facebook, a maioria de fiéis torcendo pela localização de Kolela, mas também alguns questionando a demora em informar à comunidade o desaparecimento do pároco.

"Nossa, os padres da paróquia parece que não estão preocupados. Não falam nada, não dão nenhuma notícia para os paroquianos. Tem muitos paroquianos preocupados", disse uma das fiéis.

"Desde o dia 3 o padre desapareceu e só agora comunicam aos moradores. Meu Deus, tenha misericórdia. Que ele retorne com saúde", disse outra, em comentário na postagem.

Em entrevista ao G1, o padre Gonzaga, líder dos Assuncionistas, afirma que fez o BO porque acreditava que Kolela faria contato mesmo após dizer que deixaria a comunidade. De acordo com o líder, há a suspeita de que Kolela pode não ser o autor do texto de despedida Gonzaga disse que se preocupa com o bem-estar do colega e que o visto de residência dele no Brasil é intermediado pela Congregação dos Agostinianos da Assunção, e que por isso, ele precisa informar formalmente sua saída da ordem, se for o caso.

Gonzaga declarou que não tem nenhum conhecimento sobre as acusações de que Kolela teria sido assediado.

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