Desaparecimento de mulher em escola policial preocupa Equador

O desaparecimento de uma mulher em uma escola de formação policial no Equador causou alarme diante dos crescentes feminicídios no país e levou à demissão do diretor da instituição.

A advogada María Belén Bernal, de 34 anos, desapareceu depois de entrar no domingo na escola, nos arredores de Quito, para visitar seu marido, o tenente Germán Cáceres, segundo a família da vítima.

Cáceres, instrutor da instituição, foi chamado para depor perante a promotoria. Mas ele não apareceu para trabalhar e seu paradeiro é desconhecido. O secretário de Segurança Pública, Diego Ordóñez, anunciou nesta sexta-feira que ele será demitido.

Ordóñez também informou "a imediata desvinculação do diretor da Escola Superior de Polícia (ESP)”, o coronel Francisco Zumárraga.

A polícia iniciou "os processos de investigação para a sanção de cerca de 10 membros da instituição", como chefes de controle e oficiais encarregados de vigiar a ESP, disse Ordóñez em coletiva de imprensa.

O caso reacendeu as reivindicações de grupos sociais diante dos altos índices de violência de gênero no Equador, onde, segundo a promotoria, foram registrados pelo menos 573 feminicídios - assassinatos de mulheres por seu gênero - desde 2014.

Nesta sexta, cerca de 50 pessoas se reuniram em Quito do lado de fora da promotoria para pedir agilidade na busca por Bernal.

O presidente equatoriano Guillermo Lasso, que está nos Estados Unidos, repudiou o ocorrido. "Providenciei o reforço das buscas por María Belén Bernal e a definição de uma recompensa para quem fornecer informações sobre Germán Cáceres (...) Ninguém ficará impune", escreveu no Twitter.

Foram suspensas temporariamente desde quinta-feira as atividades da ESP, onde foram encontrados "elementos" pertencentes à mulher desaparecida.

O comandante da polícia, general Fausto Salinas, afirmou que a mulher do policial entrou "na madrugada de domingo".

"Estava levando comida (...), por isso o oficial (de controle) autorizou que ela passasse", acrescentou Salinas, especificando que os civis "não podem entrar às altas horas (da noite), exceto nesses casos excepcionais".

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