Desaprovação de Bolsonaro sobe e atinge maior marca desde julho

Gabriel Melloni
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Desaprovação do governo Bolsonaro voltou a subir (AP Photo/Eraldo Peres)
Desaprovação do governo Bolsonaro voltou a subir (AP Photo/Eraldo Peres)
  • Desaprovação do governo de Jair Bolsonaro voltou a crescer e chegou a 49%

  • Lentidão na vacinação e falta de medidas mais restritivas de combate ao coronavírus são apontados como maiores motivos

  • A aprovação do presidente também diminuiu e foi a 25%

Em meio ao caos pela escalada da pandemia no Brasil e às contradições no próprio discurso sobre o combate à Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viu a desaprovação de seu governo voltar a subir. Segundo números da mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, divulgada nesta sexta-feira, a taxa chegou a 49%.

Bolsonaro enfrenta uma queda em sua popularidade no momento em que tem sido criticado pela falta de vacinas e políticas nacionais mais rígidas de combate ao coronavírus, além da demora para a liberação da nova rodada do auxílio emergencial.

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Diante deste cenário, a desaprovação do presidente subiu 4% em relação à última pesquisa, divulgada há duas semanas. Trata-se do pior resultado para Bolsonaro desde julho do ano passado, quando este número chegou a 54%, durante o início da liberação da primeira rodada do auxílio emergencial.

A aprovação do presidente também caiu, mas apenas 1%, chegando a 25%. Outros 22% disseram não aprovar nem desaprovar o governo, enquanto o número de pessoas que disseram não saber opinar manteve-se em 4%.

Pesquisa mostra crescimento na desaprovação de Bolsonaro - Foto: Divulgação/Pesquisa EXAME/IDEIA
Pesquisa mostra crescimento na desaprovação de Bolsonaro - Foto: Divulgação/Pesquisa EXAME/IDEIA

“A gestão do presidente Bolsonaro segue sendo mais bem avaliada pelo segmento evangélico [36% de avaliação positiva] e pior avaliada pelos entrevistados com ensino superior [63% de desaprovação] e pelas mulheres [53%]. A combinação de piora da pandemia com o ritmo de vacinação lento e com a falta de auxílio emergencial tem contribuído para um resultado negativo da avaliação presidencial”, explicou Maurício Moura, fundador do IDEIA.

Para a realização da pesquisa, foram ouvidas 1.255 pessoas entre os dias 22 e 24 de março. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Desaprovação de medidas adotadas pelo presidente

A pesquisa ouviu opiniões dos entrevistados sobre diversos pontos relacionados à pandemia, e ficou claro o descontentamento da população em relação à lentidão na vacinação e à ausência de medidas mais rígidas de isolamento social.

Entre os ouvidos, 77% disseram avaliar que a vacinação está atrasada no Brasil, contra apenas 4% que consideraram o processo adiantado. Já 56% afirmaram concordar com políticas como lockdown e toques de recolher para combater o vírus, contra 16% que discordaram.

“Há uma frustração coletiva enorme em relação à vacinação. Essa sensação é maior entre as pessoas de maior renda [79% de quem ganha mais de 5 salários mínimos], mais escolarizados e de capitais/regiões metropolitanas [passando de 80% nos dois recortes]”, apontou Maurício Moura.

Brasil registra 100 mil casos pela primeira vez

O Brasil registrou 2.787 novas mortes pelo novo coronavírus e 100.736 casos da doença nesta quinta (25). Com isso, o total de mortos chegou a 303.462 e o de casos a 12.320.169, de acordo com o painel atualizado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), um sistema próprio de informações que reúne dados de contaminados e de óbitos em contagem paralela à do governo.