Desarme do ETA consistirá em revelar esconderijos de armas na França

Por Álvaro VILLALOBOS
Veículos da Guarda Civil estacionados em floresta durante operação em que encontraram explosivos supostamente do ETA, em 8 de março, Irún

O anunciado desarmamento da organização separatista Pátria Basca e Liberdade (ETA) de 8 de abril consistirá em revelar os esconderijos na França, e não contará com nenhuma preparação, segundo fontes próximas à ação.

Uma fonte do País Basco contactada pela AFP afirmou que "em 8 de abril as autoridades judiciais francesas ficarão sabendo de todos os arsenais do ETA".

O desarmamento da organização, que ainda não se pronunciou diretamente, será "unilateral" e sem condições, pontuou.

O jornal El País citou "fontes conhecedoras do processo" que afirmaram que o desarmamento "será tão simples como a entrega de um papel dos intermediários civis à justiça francesa, para que esta proceda" ao requisitar o material.

A intermediação da ação do ETA é feita por uma associação basca, Bizi, que por meio de um militante seu, Jean-Noël Etcheverry, lançou na sexta-feira o anúncio do desarmamento.

A fonte consultada pela AFP reconheceu a possibilidade de ficar na Espanha algum depósito "sem controle", pois o esperado é que sejam entregues dados de todos os esconderijos na França.

O ministro francês do Interior, Bruno Le Roux, declarou neste sábado que a entrega das armas não "pode ser objeto de nenhuma negociação".

"A única solução para o desarme de acordo com a lei é assinalar a localização dessas armas às autoridades", acrescentou em comunicado à imprensa.

Afirmou também que se "essas armas e explosivos constituem elementos de prova dentro das investigações atuais [...] somente a autoridade judicial pode confiscá-las".

Desde o anúncio de sexta-feira, o governo espanhol manteve a linha dura. Afirmou que a organização deve se desarmar e, sobretudo, se dissolver sem esperar "nada em troca", como declarou neste sábado Mariano Rajoy.

Rajoy afirmou que "o que esperamos é a dissolução", depois de quatro décadas de atentados pela independência do País Basco, dos quais são atribuídos ao ETA 829 mortes, além de uma longa campanha de extorsões e sequestros.