'Desarmonização facial': febre entre celebridades, técnica pode provocar efeito contrário

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O ano de 2020 foi bom para procedimentos estéticos. A programação social suspensa foi vista por muitos como uma oportunidade para mudanças visuais. Entre os tratamentos com maior procura na pandemia está a harmonização facial. “É indicada para quem quer fazer alguma correção na face, para enaltecer alguma característica. Por exemplo, deixar o maxilar mais marcado ou os lábios maiores”, diz a dermatologista Adriana Cairo, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Porém, o que seria para harmonizar, em muitos casos, provocou efeito contrário.

Em agosto do ano passado, o cantor Lucas Lucco revelou ter se arrependido da harmonização facial. “Você se olha e simplesmente não consegue enxergar seus traços. Isso é muito ruim. Abala a autoestima”, desabafou, arrependido, ao “Fantástico”. Mesmo assim, o procedimento virou febre entre celebridades: o DJ Alok, as cantoras Joelma e Kelly Key e a modelo Monique Evans são alguns que aderiram à técnica.

São vários os fatores que podem levar à insatisfação. “Um erro comum é se inspirar na aparência de outra pessoa. Não respeitar as características do rosto e tentar se enquadrar em um padrão de beleza não é o caminho”, alerta Adriana. “A maioria dos profissionais busca deixar a face do paciente dentro de proporções consideradas belas em nossa cultura. Talvez por isso muitos tenham ficado com a mesma cara, padronizados”, reflete Franklin Veríssimo, com formação em Medicina Estética, especialista e pós-graduado em Laser, Cosmiatria e Procedimentos pelo Hospital Albert Einstein-SP. “A harmonização facial é a que traz mais alterações de cunho psicológico, trazendo impactos para a vida social, profissional e pessoal. E também, nos casos das mulheres que ficam com faces masculinizadas, até na interação sexual”, diz o dermatologista Alessandro Alarcão, que atende na Clínica Juliana Neiva.

O procedimento é realizado com injetáveis à base de ácido hialurônico, de bioestimuladores, como ácido polilático e hidroxiapatita de cálcio, e também com fios de sustentação que podem ser feitos de ácido polilático e de PDO (polidioxanona).

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A duração não é definitiva. O resultado exagerado já ganhou até nome: “Pillow Face”, que vem a ser o rosto inchado e com aspecto artificial. “Harmonizar, infelizmente, não é o que a gente vê na maioria das vezes e, sim, uma demonização facial. Virou uma caricatura, uma harmonização facial ostentação. É um erro de conceito. Meus pacientes querem o contrário: ninguém nota nada além de que estão rejuvenescidos”, diz o dermatologista André Braz, criador da técnica AB Face.

Ele pontua que é importante respeitar a estrutura de rosto e a idade em uma beleza individualizada. “A naturalidade é atingida por meio de conhecimento”, analisa o médico. “Optei pelo preenchimento para atenuar a passagem do tempo. O método do Doutor André é sutil”, finaliza a atriz e cantora Alessandra Verney, de 45 anos.

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