Descoberta por Iza, trancista das famosas ensina cuidados com os apliques

Luana Santiago

As primeiras tranças de Maia Boitrago, de 30 anos, vieram muito antes de a trancista sonhar assinar os visuais de Iza, Camila Pitanga, Erika Januzza e outras celebridades.

— Comecei a trançar meu próprio cabelo na adolescência, por volta dos 18 anos — conta a profissional, que, num primeiro momento, adotou as tranças por não aceitar a forma natural de suas madeixas: — Não gostava dos meus fios, então recorria a elas só para tentar esconder o volume dele.

Felizmente, o conhecimento quanto ao significado das tranças para a mulher negra ensinou Maia a amá-las:

— É muito mais do que estética. Elas são um símbolo da cultura africana e falam sobre representatividade. Carregam um peso muito grande para nós.

E no salão mantido na própria casa, em Irajá, na Zona Norte do Rio, não faltam exercícios de desconstrução com suas clientes, que nem sempre a procuram com a “cabeça feita”:

— Algumas ainda não têm consciência da importância, outras procuram pesquisar. Por isso, sempre conversamos sobre o assunto.

Dentre as famosas, Iza foi a primeira a contratar seus serviços.

— Comecei a atendê-la bem no começo de sua trajetória como artista. Depois, ela me indicou para outras famosas, e hoje também faço os penteados de Taís Araujo, Lellê, Jeniffer Nascimento e Juliana Alves — enumera a especialista.

No início da carreira, que engatou há cinco anos, Maia cobrava R$ 100 por penteado. Atualmente, quem quiser passar por suas mãos precisa desembolsar uma média de R$ 300, além de conseguir um dia de folga:

— Levo quase um dia inteiro em um só cabelo. Atendo umas duas pessoas diariamente. Começo o expediente às 10h sem ter hora para acabar.

Embora o tempo de colocação das tranças seja longo, Maia garante que cuidar delas é simples.

— Basta lavar com xampu com menos resíduo e não precisa condicionar. Em seguida, deve-se usar o secador na raiz. Quanto às tranças coloridas, não é preciso se preocupar com o desbotar da tinta, porque o material é sintético — explica a trancista, que pede atenção ao período em que os apliques podem ficar na cabeça: — Depois de dois meses, eles são retirados, e o cabelo “respira”, no mínimo, por duas semanas. Nesse meio tempo, recomendo fazer hidratações.

E, antes de recolocar as tranças, recomenda-se definir o quão rente do couro cabelo a cliente quer reaplicá-las.

— Dependendo do quanto aperta, pode causar dor de cabeça. Por isso, nunca é legal puxar muito, já que o cabelo pode cair ou simplesmente não crescer — explica.

Outro cuidado, desta vez social, também é frisado pela especialista orgulhosa de suas origens.

— Trança não é e nunca foi um padrão da negra. Ela tem um peso cultural, mas o nosso crespo também é lindo — afirma.