Descoberto na rua, músico faz sucesso em bistrô na Barra

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RIO — Um dia, quando foi fazer compras num supermercado em Ipanema, Andréa Barreto, gerente de marketing do bistrô Du Vin, se encantou com o talento de um saxofonista que tocava na rua, diante do estabelecimento. Em julho, após algumas conversas, convidou-o para fazer um show no Du Vin. Foi um sucesso e, desde então, o artista em questão, Joel Ferreira, faz apresentações na casa da Barra. A próxima será nesta quinta-feira.

— Já na primeira apresentação, a casa lotou. Divulgamos nas redes sociais o trabalho do Joel e muitos clientes vieram vê-lo. Depois, queriam saber quando seria o próximo. Já estávamos com uma programação musical às quintas-feiras, e eu queria algo nesse estilo de jazz. Quando ouvi o Joel, tive certeza de que era ele a pessoa. O estilo dele tem tudo a ver com a casa, que tem clima bem intimista— conta Andréa.

Nascido e criado no Complexo do Alemão, Ferreira, de 42 anos, começou a estudar música aos 9. Tocava clarinete, e aos 16 anos descobriu o saxofone. Passou pela UniRio, pela Escola de Música Villa-Lobos e pela Escola Portátil de Choro e teve chance de tocar com artistas que admirava, como o francês Idriss Boudrioua, George Israel e Gama (ex-Cidade Negra). Foi responsável por cinco anos pela banda do The Maze, no Catete, fez turnês pela Europa e já gravou dois discos, que podem ser ouvidos nas plataformas digitais. O segundo, “Orbital”, foi lançado pouco antes da pandemia, e ele chegou a fazer um show para divulgá-lo. Mas aí veio a quarentena e se tornou necessário encontrar novas formas de se sustentar.

— Os grupos de músicos se apoiaram. Foi um momento de grande aprendizado, difícil. A gente vivia de agenda e não havia shows, mas fiz algumas lives e dei aulas on-line —conta o artista, que também é produtor musical.

Neste período, Ferreira voltou a tocar também na rua e na Praia do Arpoador:

— Tenho sentido os ouvintes mais receptivos. Acho que a pandemia sensibilizou as pessoas. Muitos músicos não têm coragem de tocar na rua, muitas vezes somos mal interpretados. Mas não existe artista de rua, somos artistas. Faço pelo dinheiro, mas também porque me sinto satisfeito ao ver que meu trabalho tocou alguém.

O saxofonista estará no Du Vin outra vez hoje, a partir das 19h.

—Foi muito bom esse convite; jazz tem tudo a ver com o local e o público que frequenta a casa. O músico precisa estar tocando, produzir, fazer conexões, até para que surjam novos ouvintes. Toco músicas autorais e de outros artistas —conta Ferreira, que planeja retomar os shows para divulgar o áblum "Orbital".

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