Descobridores de Cebolinha lembram qualidades e dificuldades antes de estreia no Flamengo

Engana-se quem pensa que a chegada de Everton Cebolinha ao Grêmio, em 2013, foi fácil. O frio de Porto Alegre, por exemplo, foi uma das principais dificuldades encontradas pelo jovem atleta na ocasião. O relato é do diretor executivo Júnior Chávare, que na época fazia a função nas categorias de base do clube gaúcho, e traz um pouco mais do perfil do reforço do Flamengo, que estreia nesta quarta-feira, contra o Juventude, pelo Brasileiro, em Brasília.

"Aquele ano foi um dos períodos mais frios da década em Porto Alegre, e o Everton teve muita dificuldade no começo. Ele veio de um lugar extremamente quente, que era Fortaleza, para um extremamente frio. Fazia temperaturas abaixo de 0°C, foi realmente uma coisa absurda na época. Em meio a essa adaptação, fomos 'cercando' de todos os lados para que ele não desistisse. O inverno foi passando e nós tivemos a oportunidade de, a partir daí, ele conseguir focar no trabalho", recorda.

Chávare conta que o monitoramento aos jogos de Cebolinha eram constantes. "Quando nós chegamos no Grêmio, em 2013, ele era um jogador que eu vinha acompanhando há algum tempo. Eu assisti a um campeonato que ele estava jogando, a Copa Carpina. Ele veio emprestado do Fortaleza, inicialmente para o time sub-17, com opção de compra e valores bem 'pés no chão'", explica.

Nascido em Maracanaú, cidade em que o CT do Fortaleza está localizado, o craque surgiu nas escolinhas do Leão do Pici e desde cedo se destacou pela velocidade com a bola nos pés. No entanto, o atleta precisou superar diversas barreiras para chegar ao topo.

“Tanto clube como torcida sabiam que o Everton tinha bastante talento, mas ninguém imaginava que ele teria tanto sucesso”, conta Marcelo Paz, presidente do Tricolor do Pici. Ele explica que o jovem atleta foi negociado com o Grêmio depois de ter se destacado na Copa Carpina, uma competição de base de Pernambuco. “Muito jogadores saíram daqui para o Sul do Brasil e não vingaram. Ele conseguiu superar tudo isso e vai se firmar como maior revelação do Fortaleza”, aponta.

De fato, o Grêmio sempre teve um dos projetos mais promissores de base entre os clubes brasileiros, chamado de Lapidar. Além de Júnior Chávare e profissionais do departamento de inteligência do Tricolor, ele também capitaneado pelo executivo de futebol profissional Rui Costa, hoje no São Paulo.

"O Lapidar era um projeto que nós tínhamos de tudo: desenvolvimento tático, técnico, físico, emocional e nutricional do atleta por posição, e ele foi um dos carros-chefes. Naquele momento nós estávamos procurando jogadores com uma característica específica, que eram extremas com pé invertido, de extremas destros que jogavam pela esquerda. Começou com o Pedro Rocha, passou pelo Everton, em seguida pelo Pepe. Era um modelo que nós queríamos desenvolver e conseguimos", aponta Júnior Chávare.

Sobre o perfil do novo reforço do Flamengo, o executivo de futebol só tem elogios. "Ele é um menino extremamente trabalhador, profissional, e que sempre queimou etapas. Já em 2013, saiu do sub-17 para disputar o Brasileiro Sub-20. No ano seguinte, foi lançado naquela época na equipe principal. A partir disso ele foi se consolidando. Conseguiu ser peça fundamental na conquista da Libertadores, e naquele mesmo ano destaque do Mundial. Depois vieram as oportunidades na Seleção Brasileira, e acho que o grande ápice dele foi na Copa América, em 2019, aqui no Brasil. Com a ausência do Neymar, ele assumiu o protagonismo daquela Seleção na minha opinião, e conseguiu ter uma participação extremamente diferenciada", relembra.

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