Desconfinamento acelera na Europa; UE arrecada mais de € 7 bi para vacina

Por Nicolas GAUDICHET con las oficinas de las AFP en el mundo
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Policial patrulha estação central de Bruxelas em 4 de maio de 2020 para comprovar que os usuários cumprem as regras de distanciamiento social

A Europa continuou nesta segunda-feira (4) levantando parte das restrições que impôs para frear a propagação do novo coronavírus, que matou mais de 250 mil pessoas no mundo e fez com que a União Europeia (UE) arrecadasse mais de 7,4 bilhões de euros para buscar uma vacina.

Em muitos países, os salões de beleza foram os lugares mais frequentados hoje, após quase dois meses fechados. Em Bruxelas, uma campanha mundial para arrecadar fundos organizada pela União Europeia conseguiu 7,4 bilhões de euros para financiar a pesquisa de uma vacina.

Organizadora da conferência de doadores, que recebeu o apoio dos principais dirigentes europeus, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que uma vacina "é nossa maior chance coletiva de vencer o vírus. Temos que desenvolvê-la, produzi-la e estendê-la a todos os cantos do mundo a preços acessíveis", disse.

Os Estados Unidos, que boicotaram a conferência, registram quase 70 mil mortos. "Minha estimativa é de que chegaremos a 100 mil mortos no começo de junho", indicou à AFP Nicholas Reich, professor de bioestatística na universidade de Massachusetts.

- 'A emergência não terminou' -

A pandemia já deixou 250.203 mortos no mundo, 145.023 deles na Europa. Quinze países europeus começaram hoje a aliviar as medidas de confinamento impostas há semanas.

Na Itália, país mais castigado do continente, com 29.079 mortos, os habitantes já podem sair de casa, segundo um programa de desconfinamento que varia de acordo com a região. "A emergência não terminou", advertiu a ministra do Interior, Luciana Lamorgese.

Na Espanha (25.428 mortos), os cidadãos começaram a descobrir no sábado a felicidade de voltar às ruas. Atenas também saiu da inatividade e, como em outros países, registrou uma corrida aos salões de beleza.

Na Áustria, pioneira no assunto, alunos da última série do ensino fundamental voltaram às aulas, como também ocorreu em alguns estados da Alemanha.

No Leste Europeu, terraços de cafés e restaurantes reabriram na Eslovênia e Hungria, exceto na capital, Budapeste. Na Polônia, também reabriram hotéis, centros comerciais, bibliotecas e museus.

Em outros países europeus, o desconfinamento ainda não aconteceu. Na França, que registra mais de 25 mil mortos, o mesmo terá início no próximo dia 11, por região, enquanto o premier britânico, Boris Johnson, prevê anunciar no próximo domingo um plano de alívio das medidas no país, que registra mais de 28 mil mortos.

Fora da Europa, Nigéria, Tunísia e Líbano levantaram hoje algumas restrições. Na Índia, a reabertura de algumas lojas se traduziu em tumulto, apesar das recomendações de distanciamento social. Na Turquia, a partir da próxima semana poderão sair de casa maiores de 65 anos e menores de 20.

- 'Especulativo' -

Segundo a OMS, apenas a descoberta de uma vacina ou da cura da doença permitirá pôr fim à pandemia. A organização classificou hoje de "amostra poderosa de solidariedade mundial" a campanha de arrecadação de fundos para desenvolver uma vacina.

Existem cerca de 100 testes de vacinas contra a Covid-19 no mundo, incluindo uma dezena em fase de testes clínicos, segundo dados da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou ontem ter provas de que o novo coronavírus procede de um laboratório da cidade de Wuhan, onde surgiu a pandemia, declaração que a TV chinesa classificou de "maluca".

"Não recebemos nenhum dado ou prova específica do governo americano sobre a suposta origem do vírus, motivo pelo qual, para nós, continua sendo especulativo", declarou o diretor de Emergências da OMS, Michael Ryan.

- Mortes em pleno auge -

Em outras regiões, a pandemia está em pleno auge, como na Rússia (1.280 mortos) e América Latina, onde o número de casos superou 260 mil e o balanço se aproxima de 15 mil mortos, principalmente em Brasil, Equador e Peru, que concentram 86% dos mortos e 77% dos infectados.

No México, a antiga residência presidencial, conhecida como Los Pinos, será usada desde hoje como albergue para médicos do seguro social que atendem pacientes com Covid-19.

Em Honduras, centenas de pessoas bloquearam hoje uma estrada ao leste de Tegucigalpa para impedir o enterro de vítimas da doença em um cemitério próximo a suas comunidades.

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