Desembargador investigado na BA diz que foi vítima de mentiras na campanha

FREDERICO VASCONCELOS
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em discurso proferido nesta segunda-feira (29) no TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia), o desembargador Mário Alberto Simões Hirs disse que foi vítima de mentiras na campanha eleitoral. Em sessão virtual, os desembargadores Roberto Maynard Frank e Mário Hirs foram eleitos como novos presidente e vice-presidente, respectivamente, para o biênio 2021/2023. “Entrei na campanha, cujo desenrolar vocês todos devem ter conhecimento. Fui vitimado por mentiras, afirmações soezes, baixas, por todos aqueles que não têm compromisso com o direito e com a verdade”, disse Hirs. “Pessoas que se respeitam, não fazem o que foi feito, certamente. Mentiras facilmente comprovadas, até porque documentais, foram lançadas. Hoje em dia, dizer-se que fulano foi processado tem impacto. (…) Nossa família sofre com isso. É uma coisa vergonhosa. Nunca disputei cargos propondo trocas, benesses, jamais.” “Só tenho a agradecer a recepção que os senhores me proporcionaram. De tudo farei para cada vez mais enobrecer o nome da Justiça Eleitoral, nada posso prometer a não ser isso”, concluiu Hirs. O novo vice-presidente foi saudado pelo advogado Vandilson Costa. “Posso afirmar com segurança que o retorno dele [Hirs] a esta casa traz segurança para a gente, traz firmeza, garantia para o conjunto da advocacia e para os jurisdicionados em geral, por seu equilíbrio e firmeza. É um julgador probo, um homem justo,” disse Costa. O procurador regional eleitoral, Cláudio Gusmão, também homenageou Mário Hirs: “Resta ao Ministério Público cumprimentar e desejar sucesso no novo cargo. Vossa excelência traz empatia, ouve as partes e exerce a autoridade sem arrogância e sem se colocar acima dos demais”. A saudação ao novo presidente, Roberto Frank, foi feita pelo advogado Rafael Matos. “Abençoado não é apenas vossa excelência. Somos todos, os jurisdicionados, a legião de admiradores que essa dupla foi capaz de amealhar”. “Esta é uma corte diferenciada, com qualidades excepcionais”. “Hoje é um dia de festa”, concluiu Matos. O informativo do TRE-BA destacou o seguinte trecho do discurso de Roberto Frank: “Aproximemos o cidadão da Justiça, com a desburocratização dos serviços prestados, com a facilitação da comunicação interna e externa, com o investimento na adesão à revolução digital, ao planejamento cibernético e à inteligência artificial. Uma justiça célere pressupõe a entrega de comandos judiciais efetivos, o que por sua vez importa numa duração mínima do processo.” Como este Blog registrou, o desembargador Mário Hirs foi eleito pela terceira vez para integrar o TRE-BA. É acusado de tráfico de influência, em reclamação disciplinar que tramita em sigilo na corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. Trata-se de uma grande disputa judicial sobre conflito fundiário em Porto Seguro (BA). Em 2013, Hirs, então presidente do TJ-BA, e a ex-presidente Telma Laura Britto foram afastados provisoriamente do cargo pelo colegiado do CNJ (15 votos a zero). Uma sindicância no TJ-BA identificara má administração, irregularidades e erros nos cálculos de precatórios que causaram prejuízo ao erário avaliado em R$ 448 milhões. Em novembro de 2017, por maioria, o CNJ absolveu Mário Alberto Hirs e Telma Laura Silva Britto. Beneficiados pela morosidade da justiça, em 2020 foi extinta a punibilidade dos dois ex-presidentes, por prescrição das infrações disciplinares.