Desembargadora concede prisão domiciliar para ex-chefe de delegacia da Barra acusado de envolvimento com milícia

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RIO — A desembargadora Giselda Leitão concedeu prisão domiciliar ao policial civil Jorge Camillo Luiz Alves, ex-chefe de investigação da 16ª DP (Barra da Tijuca) acusado de envolvimento com a milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. Em sua decisão, a magistrada da 4ª Câmara Criminal ressalta o estado de saúde do investigador, que tem uma lesão neurológica definitiva.

Camilo está no Grupamento Especial Prisional do Corpo de Bombeiros, em São Cristóvão, desde o início deste mês. Antes, estava desde maio em uma cela da Divisão Antissequestro, no Leblon. O investigador não ficou em uma unidade administrada pela Secretaria de Administração Penitenciária porque possui um neuroestimulador na coluna que é ativado por bluetooth. Por isso, necessita permanecer em local com sinal de internet. Segundo laudo médico apresentado à Justiça, o policial possui uma lesão neurológica definitiva.

Camilo teve a prisão preventiva decretada em maio pela juíza Juliana Benevides, da 1ª Vara Criminal Especializada, que concordou com informação do Ministério Público estadual afirmando que o policial tinha descumprido a prisão domiciliar. Na ocasião, a prisão preventiva do investigador voltou a ser decretada. Em relatório, o MP afirmou que o investigador saiu de casa em um horário que não era permitido.

A desembargadora Giselda Leitão, em sua decisão desta quarta-feira, frisa que diferentemente do que foi alegado pelo MP e pela juíza, Camilo não descumpriu as regras da prisão domiciliar, uma vez que se ausentou de sua residência para fazer tratamento médico. A nova prisão domiciliar de Camilo foi concedida em caráter liminar em habeas corpus impetrado pelo advogado do policial, Carlos Daniel Dias André.

Giselda ainda menciona, na decisão, que ao decretar a prisão preventiva de Camilo, a juíza considerou o recebimento de uma denúncia anônima informando que o policial estaria envolvido em uma plano para matar a promotora Simone Sibílio e a delegada Adriana Belém, com quem o investigador trabalhava quando foi preso. A desembargadora frise que a informação da denúncia deve ser tratada com cautela e ressalta que durante a vigilância feita por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) nada foi constatado que confirme o envolvimento de Camilo no plano.

— A prisão de Camilo em maio interrompeu o tratamento importantíssimo que ele fazia para voltar a andar. A decretação da prisão tinha sido baseada em um suposto descumprimento da domiciliar, que demonstramos não ter acontecido, e em uma denúncia anônima que sequer se confirmou. Mantê-lo em prisão domiciliar é fundamental para que ele retome o tratamento e tenha chances de se recuperar.

Camillo foi preso em janeiro de 2020 na Operação Intocáveis II, sob acusação de envolvimento com a milícia de Rio das Pedras. O MP encontrou diversas conversas entre Camillo e um dos acusados de matar a vereadora Marielle Franco, Ronnie Lessa. No celular de Ronnie, o policial era identificado como amigo da 16.

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