Desembargadora do TJ da Bahia presa tinha joias, obras de arte e R$ 100 mil em espécie, diz PGR

Aguirre Talento
A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago em solenidade, no último dia de sua gestão, em janeiro de 2018

BRASÍLIA - A desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) Maria do Socorro Barreto, presa nesta sexta-feira pela Polícia Federal, tinha em sua posse diversas obras de arte, um total de R$ 100 mil em espécie, joias e anotações que reforçam as suspeitas de um esquema de corrupção no tribunal, aponta a Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR afirma que há indícios de que os bens e o padrão de vida da desembargadora estão "acima do que seria esperado para uma servidora pública".

Ex-presidente do TJ-BA, Maria do Socorro foi presa preventivamente por ordem do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes, na nova fase da Operação Faroeste.

As evidências foram encontradas na terça-feira da semana passada durante cumprimento de busca e apreensão contra a desembargadora, na primeira fase da operação. "Chamou a atenção da equipe um grande estojo do tipo mostruário com adornos femininos, contendo colares, anéis, relógios, brincos. Destaca-se que os três relógios estampam a marca Rolex, não sendo possível afirmar se são apenas imitações", diz trecho da representação da PGR. Segundo o órgão, havia "uma centena de joias" na posse da desembargadora.

"No quarto da senhora Maria do Socorro foi localizado em seu guarda-roupas valores em espécie no total de R$ 56.500,00 em moeda nacional, outros 9.050 euros e 200 dólares. Em cotação do dia de hoje, a soma dos valores apreendidos chega a quase R$ 100 mil", afirmou a Procuradoria. Também foram encontrados quadros de artistas famosos no gabinete da desembargadora e em sua residência, alguns deles ainda dentro da embalagem.

Dentre as anotações encontradas, chamou atenção dos investigadores um manuscrito dirigido ao governador da Bahia, Rui Costa (PT), no qual a desembargadora pedia um favor para uma empresa de táxi aéreo. Há indícios de que essa empresa estivesse ligada à Embaixada da Guiné Bissau e ao suposto cônsul do país Adailton Maturino, preso na primeira fase sob suspeita de ser o articulador do esquema criminoso de decisões judiciais suspeitas no oeste baiano. Também havia uma anotação sobre um processo em tramitação na Justiça Federal em Brasília de interesse da mesma empresa, com os dizeres "Julgar favorável".

"Caso de fato a empresa de táxi aéreo esteja vinculada à Guiné Bissau e a Adailton Maturino, deduz-se que a desembargadora estaria pedindo favores ao governador e ao juiz federal em benefício do investigado", diz a PGR.

A prisão foi decretada porque a PGR interceptou ligação telefônica na qual Maria do Socorro perguntava a uma funcionária do seu gabinete sobre provas apagadas em um celular apreendido pela Polícia Federal. Também foi localizada uma outra conversa que indicava destruição de provas, na avaliação dos investigadores.

A defesa de Maria do Socorro ainda não foi localizada para comentar.

A defesa de Adailton Maturino nega que ele tenha realizado grilagem de terras no oeste da Bahia e afirma que ele é vítima dessa prática. "Está claro que o sr. Adailton Maturino e sua esposa Geciane Maturino, ao contrário do disposto em caráter de dúvidas por parte do MPF no procedimento criminal, em verdade, estão sendo acusados de forma temerária, por terem descoberto documentos que comprometeram e comprometem o modus operandi de grileiros profissionais no oeste da Bahia. Estes, sim, integrantes de uma verdadeira organização criminosa, corporatizada e com conexões nos mais diversos setores da sociedade", diz a defesa.