Desembarque de migrantes alvo de braço de ferro entre Itália e ONG

À medida que a espera se prolonga, aumenta a tensão no porto de Catania, na Sicília, onde o navio humanitário "Humanity 1" se mantém atracado desde domingo com 35 pessoas a bordo e refém de um imbróglio jurídico.

De um lado, Itália, que recentemente restringiu por lei a entrada de migrantes, deu ordens ao barco de bandeira alemã para zarpar, após ter acolhido 144 crianças e doentes.

Do outro o capitão, que por indicação do advogado alega o direito internacional e se recusa a abandonar o porto com os sobreviventes resgatados no mar Mediterrâneo.

A Comissão Europeia recusa ser o árbitro da questão e diz não lhe competir coordenar operações marítimas nem desembarques, mas não sem recordar "obrigação legal e moral" dos Estados-membros de "salvar vidas".

Já a Alemanha, país de origem da SOS Humanity, ONG proprietária do navio, afirma estar a acompanhar de perto toda a situação.

Andrea Ssse, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, garantiu, esta segunda-feira, que o seu executivo está em estreito contacto tanto com as autoridades italianas como com as organizações da sociedade civil.

"O salvamento marítimo civil não deve ser dificultado. É nossa obrigação moral e legal não deixar as pessoas em perigo no mar afogarem-se. E isso, claro, deve ser também o objetivo das nossas ações", afirmou Sasse.

O governo de Giorgia Meloni está atualmente a recusar um porto seguro a quatro navios de resgate no Mediterrâneo.

Além do "Humanity 1", outra embarcação, desta vez da associação Médicos Sem Fronteiras, se encontra no porto italiano com 215 pessoas a bordo, após ter conseguido o desembarque de 357 passageiros.