Desempregada, jovem monta brechó na calçada e investe no sonho de lançar sua própria grife de roupas

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“Quero ter minha loja. Tudo tem um começo”. Essas duas frases escritas na plaquinha pendurada numa arara com vários cabides e roupas chama atenção de quem passa pela Praia de Botafogo, na altura da Rua Visconde de Ouro Preto, e mostram que Ananda Mello, de 22 anos, é uma camelô diferenciada. O brechó a céu aberto é apenas o primeiro passo para a realização de um sonho maior da ex-vendedora de uma loja famosa da Zona Sul do Rio que perdeu o emprego durante a pandemia. O que a jovem quer mesmo é ter um estabelecimento físico e a própria grife de moda.

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— Sempre gostei de moda, está na minha veia, queria trabalhar com isso. Eu só era um pouco perdida sobre como começar, dar o primeiro passo para conseguir realizar esse sonho. Como somos só eu e o meu marido, que também ficou desempregado, e precisávamos nos sustentar mesmo sem um trabalho de carteira assinada, a forma que a gente achou foi empreender com as possibilidades que a gente tinha em mãos. O brechó nasceu assim, pegando umas roupas com a minha sogra, com meu marido e com outras pessoas da família que queriam desapegar — conta a moradora de Botafogo, que na infância desenhava roupas e sapatos nos caderninhos que ganhava da avó e já sonhava viver de moda.

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A rua, na verdade, foi a forma encontrada para viabilizar um sonho que começou na internet e deve seguir nas redes sociais até se transformar em realidade. Antes mesmo de ser demitida, Ananda já tinha uma página onde oferecia roupas do seu próprio acervo, muitas de marcas famosas, e possuía uma boa clientela. Com a pandemia e o desemprego, mudou um pouco o foco e, recorrendo ao desapego de parentes, transformou a lojinha virtual em brechó, que não foi muito bem por conta da mudança de perfil.

A jovem, então, teve a ideia de criar um novo perfil já voltado para o brechó, mas também não engrenou porque teve de começar praticamente do zero. Foi aí que decidiu ir para a rua e, assim, chamar atenção para o perfil @arquetipos.brecho. Deu certo! Logo no primeiro dia, o brechó a céu aberto, montado há cerca de um mês na calçada, atraiu não só a curiosidade dos pedestres, mas também de pessoas dispostas a contribuir para a realização do sonho da jovem empreendedora, seja comprando as peças, seja fazendo doações. Uma segunda arara foi doada e, em pouco tempo, Ananda conseguiu dobrar a quantidade de peças expostas. Ela começou com 50; hoje, já são mais de cem.

— É o poder da ação. Acredito muito nisso. O primeiro passo pode ser curto, mas a partir dele as coisas acontecem a seu favor — acredita a empreendedora, que logo no primeiro dia se surpreendeu com o faturamento de R$ 360, bem acima do que esperava.

Rescisão investida em modelagem de marca autoral

Atualmente, Ananda garimpa as roupas que vende em outros brechós ou junto a vendedores de rua, além de receber doações. Como boa conhecedora de moda, ela costuma selecionar peças diferenciadas, que são expostas para a venda somente depois de passar por uma lavagem e criteriosa higienização. Os preços variam de R$ 5 a R$ 30.

O próximo passo de Ananda será lançar o perfil reformulado do Arquétipos Brechó no Instagram. Uma amiga dela, que é modelo, posou para um ensaio fotográfico com as peças de roupa que serão expostas para venda na internet.

E o desejo de realizar não para por aí: depois disso, Ananda quer investir num site e num e-commerce para angariar clientes Brasil afora. A loja física virá na sequência, acredita ela, que investiu parte do dinheiro da rescisão de seu último emprego na primeira modelagem de sua marca autoral, que já tem até nome: Smell Like Store.

Até a concretização do sonho, a jovem empreendedora dá expediente no Arquétipos Brechó de segunda a sexta-feira, das 14h às 20h, na Praia Botafogo. Paralelamente, busca a regularização junto à Prefeitura do Rio, para não ter problemas com a fiscalização.

A parte administrativa e de planejamento do negócio, principalmente o virtual, é tocada pelo marido dela, o designer gráfico João Felipe Sampaio, de 25 anos, que perdeu o emprego durante a pandemia, após a loja de calçados onde trabalhava fechar todos os endereços físicos para ficar só na internet.

— O brechó na calçada é só o pontapé inicial para uma realização maior — afirma Ananda, que nunca estudou Moda, é autodidata.

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