Desempregado em 2014, africano quebra barreira e vira esperança no Chelsea

Mauricio Andrade
·3 minuto de leitura
KRASNODAR, RUSSIA - OCTOBER 27: Edouard Mendy in training  ahead of the UEFA Champions League Group E stage match between Chelsea FC and FC Krasnodar at Krasnodar Stadium on October 27, 2020 in Krasnodar, Russia. (Photo by Chris Lee - Chelsea FC/Chelsea FC via Getty Images )
Mandy durante aquecimento antes de jogo da Champions League (Chris Lee - Chelsea FC/Chelsea FC via Getty Images)

LONDRES (INGLATERRA) - Em meio ao R$ 1,5 bilhão gasto pelo Chelsea na última janela de transferência, incluindo nomes como Timo Werner e Kai Havertz, duas grandes - e desejadas - promessas mundiais, além de outros destaques como Hakim Ziyech e Thiago Silva, é um dos jogadores mais baratos, e até desconhecido, que vem caindo nas graças da torcida. Édouard Mendy, que há alguns anos estava desempregado, é a esperança para uma posição que tirava o sono dos torcedores nos últimos tempos. Além disso, o senegalês é o único goleiro africano de toda Premier League, 'jejum' que já durava oito anos na competição.

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Para quem vê Mendy brilhando com a camisa do Chelsea, como aconteceu no clássico contra o Manchester United, quando o goleiro fez pelo menos três grandes defesas, garantindo o empate sem gols, não imagina que apenas seis anos atrás ele estava desempregado, repensando seu futuro no futebol.

Em 2014, aos 22 anos, Mendy não teve seu contrato renovado com o modesto Cherbourg, então na quarta divisão do futebol francês. A negativa da equipe mexeu com a cabeça do senegalês, que começou a duvidar do próprio potencial.

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"Para um jogador de futebol ou qualquer outra pessoa, estar desempregado é como levar um tapa na cara", disse Mendy em entrevista à revista So Foot, da França. "Repetidos fracassos acabam deixando uma marca e você começa a pensar que não nasceu para aquilo [jogar futebol]", revelou Mendy, que, na época, ainda estava esperando seu primeiro filho de sua então namorada.

Mendy, então, voltou ao Le Havre Athletic Club, clube onde começou a jogar quando criança. De manhã, revezava entre treinos com a equipe reserva e academia, no período da tarde treinava chute ao gol com seu irmão em um dos campos. Tudo isso, é claro, sem receber nenhum salário - sua renda vinha de benefícios para desempregados da França.

Após um ano nessa situação, ficou sabendo por meio de um ex-companheiro que o Olympique de Marseille estava à procura de goleiros, já que seus reservas haviam sido emprestados. Ele foi bem nos testes e acabou contratado para ser a quarta opção. "Quando fui fazer o teste, o pensamento era apenas dar absolutamente tudo que tinha para conquistar aquela oportunidade. Felizmente deu certo, foi um sentimento de alívio ter conseguido", relembrou.

A partir de então, as coisas começaram a fluir. De lá, se transferiu ao Reims em 2016, onde ficou três anos, com mais de 80 jogos, antes de ser vendido ao Rennes por 5 milhões de euros (R$ 33 milhões). Apenas uma temporada depois disputando a Ligue 1 e Liga Europa, conseguiu chamar a atenção do Chelsea, que o contratou por 21 milhões de libras (R$ 156 mi).

"Se alguém tivesse me dito isso há seis anos, quando eu sequer tinha um clube, eu sequer teria olhado ou prestado atenção no que a pessoa estivesse falado", disse ao chegar no Chelsea.

QUEBRANDO BARREIRAS

Além da grande história de superação, Édouard Mendy ainda carrega o peso de ser o único goleiro africano da Premier League. Ele fez sua estreia na competição na quarta rodada, quando o Chelsea goleou o Crystal Palace em Stamford Bridge por 4 a 0.

Ao entrar em campo, e não tomar gols, Mendy quebrou duas marcas importantíssimas para seu continente. Há oito anos um goleiro africano não disputava uma partida do Campeonato Inglês, o último havia sido o nigeriano Carl Ikeme pelos Wolves, em 2012. Ele ainda se tornou o primeiro goleiro nascido no continente a não tomar gols em um jogo da Premier League desde o ganês Richard Kingson, pelo Blackpool, em 2010.

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