Desempregados nos EUA podem ter de esperar por ajuda que precisam com urgência

Chris Stein
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Muitos americanos sem trabalho podem ter que esperar a retomada dos pagamentos de seguro-desemprego

O governo dos Estados Unidos aprovou outro pacote de estímulos em massa para manter sua economia, à medida que a pandemia de coronavírus avança, mas é possível que o auxílio para os desempregados mais necessitados não chegue de imediato.

A decisão do Congresso de esperar até o último minuto para aprovar a medida de 900 bilhões de dólares, seguida pela indecisão de vários dias do presidente Donald Trump para promulgar o projeto de lei, provocou a vencimento de dois programas que apoiam milhões de americanos desempregados. Os especialistas alertam que os estados podem levar semanas para reiniciar os pagamentos.

"Tudo relacionado ao seguro-desemprego e ter 53 sistemas diferentes é difícil, e isso significa que alguns estados podem deixar a peteca cair", disse Michele Evermore, analista de políticas do Projeto Nacional da Lei de Emprego.

A nova medida de estímulo dá continuidade à Lei de Ajuda, Alívio e Segurança Econômica pelo Coronavírus (CARES, em suas siglas em inglês), um grande projeto de regulamentação que ampliou os benefícios para os trabalhadores autônomos e permitiu que os desempregados recebessem ajuda do governo durante um período prolongado.

Esses programas expiraram em 26 de dezembro, vítimas tanto dos meses que o Congresso demorou para chegar a um acordo na semana passada, quanto da rejeição do presidente republicano em assiná-lo antes de finalmente decidir fazê-lo no domingo.

Este bloqueio pode ter custado aos desempregados uma semana de benefícios e pode levar a um intervalo de até três semanas em que não receberão o auxílio, segundo os especialistas.

- Dano econômico -

A maior economia do mundo paralisou repentinamente em março, quando os estados ordenaram o fechamento de negócios para conter a transmissão da covid-19, esforços que causaram um dano econômico grave e não evitaram que o surto nos Estados Unidos se tornasse o maior do planeta.

Com um custo de 2,2 bilhões de dólares, a Lei CARES teve o mérito de evitar que os Estados Unidos sofressem uma recessão ainda pior, em parte por apoiar o consumo mediante programas de desemprego ampliados.

O novo pacote, "que fornece resposta e alívio de emergência pelo coronavírus", é parte de um projeto de lei de gastos mais amplo e fornece aos desempregados 300 dólares adicionais em pagamentos semanais.

Os americanos também receberão cheques de estímulo em um total de até 600 dólares por pessoa, embora Trump tenha pedido que esse valor aumente para 2.000.

Também serão prolongados até 14 de março os programas criados sob a Lei CARES para os desempregados de longa duração e os trabalhadores do setor de entretenimento.

O seguro-desemprego nos EUA é administrado por estados e territórios de jurisdições individuais. Muitos sistemas estão sobrecarregados e dependem de uma tecnologia muito obsoleta, que poucos acreditam que vá conseguir reativar facilmente um programa de benefícios que acaba de ser desativado.

"O fato de terem que tirar todo o mundo e colocar todos de volta não vai dar certo em nenhuma circunstância", disse Andrew Stettner do grupo progressista de especialistas The Century Foundation, que estimou que 12 milhões de pessoas dependiam desses programas que teriam sido anulados, caso o novo projeto de lei de estímulo não tivesse sido aprovado.

- Nenhum pagamento -

A demora de Trump em aprovar o pacote de gastos causou mais problemas: como o presidente assinou o projeto de lei apenas no domingo à noite, muitos estados já haviam determinado seus pagamentos de seguro-desemprego para a semana.

Dependendo do estado, explicou a especialista Evermore, é provável que algumas pessoas desempregadas não recebam nenhum pagamento esta semana e enfrentem outra espera para que os estados reiniciem seus embolsos.

"Tendo que ficar até duas ou três semanas sem pagamento, nessa situação, a incerteza se torna terrível", destacou.

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